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Eleição, em Bauru ficamos na mesma

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru só conseguiu reeleger o único deputado estadual que tinha, mas com menos votos do que na eleição anterior. Agora, passa a ter mais um deputado estadual, que nem foi eleito por Bauru, já que aqui obteve apenas 4.053 dos quase 80 mil votos que o elegeram. Dos votos válidos para deputado estadual, 33,61% foram para candidatos de fora. Na Câmara Federal continuamos sem representante, enquanto os candidatos de fora levaram quase 50% (48,54) dos votos válidos. A manchete do JC de 7/10, considerando aqueles que não têm domicílio em Bauru, foi: "Forasteiros" levam 114 mil votos. Na pior das hipóteses, daria para ter pelo menos um deputado federal.

Antes da eleição, era unânime a recomendação para que os eleitores votassem nos candidatos de Bauru, mas o resultado foi até pior que os anteriores. Qual seria a verdadeira causa desse fato? Somente uma pesquisa bem feita poderia indicá-la. Há várias razões pelas quais o eleitor decide em quem votar e o amor pela cidade, possivelmente não estará em primeiro lugar. Há outros motivos mais próximos dos interesses de cada pessoa. Podem ser profissionais, familiares, corporativos, de gratidão e até de protesto, todos mais ligados a interesses pessoais que aos interesses da comunidade. Foi nesse rio que os forasteiros jogaram o seu anzol.

Quanto aos candidatos, seria salutar que os resultados desta eleição servissem de aprendizado, uma vez que os das eleições anteriores não serviram. Antes de se candidatar ou de aceitar o convite, o cidadão deve se fazer uma pergunta básica: por que alguém votaria em mim? Se, refletindo serenamente, não encontrar uma resposta indubitável, é melhor esquecer. E não adianta perguntar aos outros, porque dificilmente alguém terá a coragem de ser franco e dizer: duvido que haja quem queira votar em você. Muitos até estimulam, para serem agradáveis. Primeiro é o próprio pretendente que deve estar convencido de que tem possibilidades, para depois procurar apoio. Com isso evitaria passar vergonha e depois se dizer decepcionado e reclamar de ingratidão. O candidato tem que se fazer merecedor do voto e empolgar os eleitores pelo que já fez em benefício comum e não só pela expectativa do que pretende fazer.

Uma tendência, hoje, é os municípios vizinhos procurarem soluções para problemas que afetam a sua microrregião. Nesse contexto, a cidade polo, como é o caso de Bauru, desempenha um papel muito importante. Piratininga, Agudos e Pederneiras já têm as suas áreas urbanas limitando-se com a de Bauru e há muitos problemas interligados. Outras, não muito distantes, como Cabrália Paulista, Duartina, Iacanga, Arealva (com esta há o aeroporto comum), Borebi, Lençóis Paulista, Avaí, Presidente Alves e Pirajuí possuem fortes relações com Bauru. Quem pensa em ser deputado precisa ter essa visão, mas não é somente para visitar e distribuir ?santinhos? em época de campanha. Alguns dos nossos candidatos tiveram uma votação razoável aqui e poderiam ser eleitos se tivessem penetração nessas cidades, que também precisam de representação.

Uma tecla em que se bate sempre é a de maior participação política de pessoas de destaque na sociedade. O escritor Mário Vargas Llosa, escrevendo sobre a política do Peru, onde foi presidente, diz: "A partir de 1956 a política tornou-se decente, durante alguns anos, porque as pessoas decentes se animaram a fazer política em vez de fugir dela." Em 1966, no jornal Correio da Noroeste, publicamos: ?Bauru, cidade sem liderança.? O prefeito de então, Dr. Nuno de Assis, telefonou-nos cumprimentando, em vez de ficar melindrado. No período de Alcides Franciscato, como prefeito e deputado federal, a cidade teve liderança. Depois desse período Bauru voltou a não ter, e não é por falta de gente boa e talentosa, mas por desinteresse e até certa aversão pela política. Seria bom reverter essa situação.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.

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