Regional

Criança teria passado mais de 5 mil trotes na PM de Botucatu

Lilian Grasiela e Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

Uma média de 40 ligações por dia. Essa era a rotina de uma menina de oito anos, moradora de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), que, nos últimos cinco meses, passou 5.657 trotes no 190, número de emergência da Polícia Militar (PM). Anteontem, a polícia abordou a criança quando ela telefonava novamente para a PM e, o que representava apenas brincadeira para ela, mas poderia ser a diferença entre a vida e a morte para alguém em perigo, chegou ao fim.

Segundo a PM, os mais de 5 mil trotes foram passados por um único aparelho celular, de DDD 65, e tiveram início em 28 de maio. As ligações caíam no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), responsável pelos chamados de 13 municípios. O capitão Marcelo Ricardo Silva, oficial de Relações Públicas do 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), relata que, nos telefonemas, a menina gritava por socorro ou apenas dava risada.

“Desde o primeiro momento, a gente já sabia que era um trote. Ela fazia gracinha de criança, gritava por socorro e começava, logo em seguida, a dar risada. Ela nunca chegou, realmente, a comunicar falsamente um crime”, diz. “Ela fazia uma brincadeira sem noção da gravidade do ato dela e do transtorno que ela causava ao serviço operacional do 190 da Polícia Militar. Para ela, era brincadeira. Faltou fiscalização e orientação dos pais ou responsáveis”.

Na terça-feira, a “brincadeira” da menina chegou ao fim. Por volta das 14h, ela telefonou novamente para o 190, mas uma atendente conseguiu manter a criança na linha até que o local de onde partiu a chamada fosse identificado e uma viatura fosse deslocada até lá. A menina foi abordada pela equipe na Praça da Juventude, no bairro Cohab I. Quando policiais verificaram o celular dela, um aparelho antigo, sem crédito, constataram que era o mesmo número de onde partiram os 5.657 trotes.

O capitão explica que, pelo fato de ter oito anos, ela não responde por seus atos. “Foi acionado o Conselho Tutelar e sua responsável e, por se tratar de criança, o caso foi encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)”, conta. “Mas não existe medida socioeducativa para criança. O que existem são medidas protetoras para crianças. Nesse caso, cabe uma orientação aos pais”.

Já o adolescente ou adulto flagrado passando trote responde por comunicação falsa de crime, prevista no artigo 340 do Código Penal, com pena de detenção de um a seis meses e multa.

'Fila de espera'

O capitão Marcelo Ricardo Silva, oficial de Relações Públicas do 12º BPM/I, revela que, do total de ligações diárias feitas ao Copom, 20% são trotes. A triste estatística, segundo ele, resulta em sobrecarga no sistema e coloca em risco quem realmente necessita dos serviços da corporação.

“O sistema de ligação 190 é por ramais. Dependendo do número de ligações, às vezes, ligação mais grave sobre crime ou pedido de socorro urgente em que seria necessário imediata ação da PM vai acabar entrando em uma fila de espera porque existem crianças ou até adultos passando trote e usando indevidamente o telefone de emergência”, diz.

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