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Procura por bombas d"água triplica

Tisa Moraes e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Nilson Oliveira Silva emprestou uma bomba d'água com vazão de 2 mil litros por hora para abastecer seus reservatórios

A baixa pressão de água na rede provocada pela queda no nível do rio Batalha provocou uma corrida a estabelecimentos que comercializam bombas pressurizadoras para caixas d’água. Segundo estabelecimentos consultados pela reportagem, as vendas triplicaram na última semana.

 

O equipamento, que deve ser instalado junto a um reservatório localizado no nível do chão, ajuda a bombear água para a caixa, algo útil para imóveis situados nas regiões mais altas da cidade. Nestes locais, a água, sem pressão suficiente, não tem chegado nem mesmo nos dias programados pelo rodízio estabelecido pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE).

 

Vale destacar que os caminhões-pipa da autarquia só abastecem reservatórios domésticos que estejam no nível da rua. Gerente de um estabelecimento localizado na região central, Milena Roversi conta que as vendas de bombas explodiram desde a última quarta-feira, exatamente no dia em que o racionamento de água foi retomado para os 130 mil moradores que recebem água do Batalha. 

 

“Temos quatro funcionários para o atendimento ao público e chegou a ter fila para comprar. Nosso estoque, que deveria durar até o fim do mês, praticamente acabou no último sábado. Tivemos de fazer um pedido emergencial ao fornecedor”, comenta. Na loja, as bombas são comercializadas de R$ 180,00 a R$ 345,00.

 

A venda de equipamentos de sucção de água de poços artesianos também triplicou na última semana, em Bauru, segundo confirma Marcos Vinicius Rosa, gerente de compras de um estabelecimento localizado na Vila Antarctica. “Quem mais procura são donos de chácaras que possuem poços particulares. Ou é para ajudar a bombear ou para substituir a bomba que queimou devido ao baixo nível das águas subterrâneas”, pontua.

 

Na loja, também eram comercializados recipientes para armazenamento de água, cujos estoques acabaram na última sexta-feira. “Tínhamos galões de 5, 10, 20 e 50 litros. Acabou tudo”, comenta. 

 

Solução

 

Sem água desde quinta-feira passada, o aposentado Nilson Oliveira Silva, 64 anos, encontrou uma solução temporária para o desabastecimento na casa dele, localizada na quadra 4 da rua Moacyr Zelindo Passoni, na região da Vila Alto Paraíso. “Eu emprestei uma bomba d’água de um vizinho e o equipamento tem uma vazão de 2 mil litros por hora”, explica o aposentado.

 

Mas onde o seu Nilson encontra água para encher o reservatório? Ele conta com as visitas do caminhão-pipa do DAE e, quando não ocorrem, vai buscar em uma caixa d’água da autarquia, que fica na Vila Falcão. O aposentado tem dez galões de 20 litros e um tambor de 200. Ele coloca o líquido dos recipientes no tambor e a bomba “empurra” a água para a caixa.

 

Poços irregulares

 

Na edição de ontem do JC, o coordenador da Seção de Controle de Poços Particulares do DAE, Vanderlei de Brito Melo, revelou que o número de poços irregulares flagrados em um ano quadriplicou. Ele afirmou ainda que a autarquia não tem poder de polícia e, portanto, enfrenta restrições para realizar os flagrantes das irregularidades, mesmo quando recebe denúncias. “Não podemos entrar em propriedades privadas sem autorização”, disse à reportagem. 

 

O diretor de uma empresa de perfuração e manutenção de poços artesianos, por sua vez, entrou em contato com o JC e apresentou a Legislação de Recursos Hídricos do Estado. No capítulo que trata da fiscalização, a lei diz que “fica assegurado aos agentes credenciados, encarregados de fiscalizar da extração e a qualidade das águas subterrâneas, o livre acesso aos prédios em que estiverem localizadas as captações e aos locais onde forem executados serviços ou obras que, de alguma forma, possam afetar os aquíferos”.

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