Ontem, um homem de 27 anos foi preso vendendo drogas no Parque Vitória Régia. A maconha estava escondida sob a tampa de um bueiro. Ele não foge do perfil prevalente daqueles que são presos em Bauru. Estimativa da Polícia Civil aponta 75% das prisões em flagrante na cidade são por tráfico, furto ou roubo.
Desses crimes, a comercialização de entorpecentes é o que mais puxa as prisões. Dados levantados pela polícia à pedido do JC dão conta de que, das 722 prisões em flagrante feitas entre janeiro e setembro de 2014, 268 foram em decorrência do tráfico de drogas, o que representa 37% do total.
Já no ano passado, das 733 prisões em flagrante feitas no mesmo período, 299 foram por tráfico, quase 40% do total.
O segundo crime de maior incidência, em ambos os anos, é aquele praticado contra o patrimônio, ou seja, furto e roubo.
Para Ricardo Martines, delegado seccional de Bauru, os três crimes estão diretamente relacionados ao aumento do consumo de entorpecentes, principalmente do crack. “Há uma década, o crack praticamente não existia. Hoje, a droga chegou a mudar o perfil dos usuários. Na maioria das vezes, eles cometem furtos ou roubos para sustentar o vício”, explica.
O modo como esses roubos e furtos são cometidos confirma isso. Geralmente, as vítimas são pedestres e produtos de pequeno valor são levados.
O tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), confirma o fato e acrescenta que a Polícia Militar (PM) trabalha de forma preventiva para combater os três crimes mais comuns na cidade. “Nós contamos com as denúncias da população, a troca de informações com a Polícia Civil e o patrulhamento em locais que já sabemos que têm maior incidência”, reitera.
Estatísticas
Além das prisões em flagrante, a Polícia Civil divulgou o número de prisões por cumprimento de mandados judiciais, apreensões de adolescentes em flagrante e também por meio de mandados.
Somando tudo, foram 1.551 prisões entre janeiro e setembro de 2014 contra 1.706 no mesmo período do ano passado, o que representa uma redução de 9% de um ano para outro (veja ilustração ao lado).
“Contudo, se transformarmos essas estatísticas dos nove primeiros meses de 2013 e 2014 em ocorrências diárias, teríamos, respectivamente, 5,7 e 6,3 prisões por dia. Portanto, podemos dizer que os números mantiveram um certo equilíbrio de um ano para outro”, justifica o delegado seccional Ricardo Martines, afirmando ainda que os dados mostram funcionamento do aparelho de repressão do Estado contra o crime.
Para se ter uma ideia de quantas pessoas ficaram presas, o JC estabeleceu contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e questionou o número de detentos que foram soltos em relação aos nove meses de 2014 e 2013. Todavia, até o fechamento desta edição, o órgão não havia respondido.
Adolescentes infratores
Nas estatísticas de prisões em flagrante, as apreensões de adolescentes infratores são registradas separadamente. Se reunidos, os dados das prisões, os números seriam bem maiores.
Entre janeiro e setembro de 2014, foram 161 apreensões de adolescentes contra 136 do mesmo período do ano passado. “Os adolescentes estão cada vez mais envolvidos com o crime, principalmente o tráfico de drogas, porque as sanções são mais leves”, critica Ricardo Martines.