Polícia

Assassino se apresenta, mas não pode ser preso por conta da eleição

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Apontado como autor de homicídio praticado em frente a uma casa de shows em Bauru, no dia 1 de agosto, Adalberto de Souza Bandeira, 25 anos, que estava foragido, apresentou-se ontem na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Polícia Civil, mas, devido à Lei Eleitoral, ele não pôde ser preso. 

 

Bandeira confessou ter executado Osvaldo Almeida Alves, 39 anos, com cinco tiros à queima roupa, efetuados por pistola semiautomática 765. O crime ocorreu no Jardim Santos Dumont, às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Bauru.

 

“No dia do assassinato, testemunhas nos informaram a placa de uma Ecosport suspeita. Com os dados, fizemos diligências e, poucos dias depois, chegamos até o veículo, que estava escondido em uma residência no Jardim Terra Branca, com conhecidos do acusado”, explicou Cledson Nascimento, da DIG. 

 

Ainda segundo o delegado, ao serem questionados, os moradores confirmaram que o carro foi deixado por Adalberto, após ele dizer que havia matado um homem e precisava esconder o veículo. 

 

No decorrer das investigações, a Polícia Civil expediu o mandado de prisão contra Bandeira, mas, conforme contou Cledson Nascimento,  o acusado não havia sido localizado.  “Hoje (ontem), ele se apresentou com um advogado na CPJ (Central de Polícia Judiciária), mas, devido à Lei Eleitoral, mesmo tendo confessado o crime, não pudemos mantê-lo preso”. 

 

“Agora, o inquérito permanece em andamento e, ao final dele, possivelmente será pedida a prisão preventiva do acusado. No entanto, a prisão temporária ficou sem efeito, com a apresentação na época da eleição”, acrescentou o delegado. 

 

A proibição da prisão de eleitores e candidatos, cinco dias antes das eleições e 48 horas depois, está prevista no artigo 236 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965).

 

Passional 

 

Conforme o JC já havia noticiado, segundo o delegado Cledson Nascimento, uma discussão por ciúme entre vítima e autor teria motivado o homicídio. “Ele (Adalberto Bandeira) alegou que Osvaldo olhou para a sua namorada e houve uma discussão. Depois, no banheiro do local, ele afirma que teria sido derrubado no chão pela vítima e ainda alega que foi ameaçado de morte”, conta o delegado. 

 

Legítima defesa

 

Ainda de acordo com o depoimento de Adalberto Bandeira, na saída do show, Osvaldo sacou uma pistola de dentro do carro e apontou para ele, que conseguiu desarmá-lo e atirar. 

 

“Ele alegou legítima defesa e disse que se escondeu todo esse tempo porque estava sendo ameaçado. Porém, as investigações apontaram que era ele quem estava armado. Então, como houve esta alegação agora, iremos fazer mais diligências”. 

 

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