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Moradores de Itu fazem fila até de madrugada por água de bica


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Uma e meia da madrugada de ontem. O ajudante geral Devacir Soares do Nascimento, 26 anos, amarra com cordas um suporte improvisado na garupa da moto. Coloca ali galões e garrafas e sai de casa em direção à bica da Vila Santa Terezinha, em Itu (247 km de Bauru). 

 

Na cidade paulista que sofre há mais tempo com a falta de água - desde setembro de 2013, segundo moradores -, Nascimento é uma das centenas de pessoas que recorrem ao local diariamente. 

 

Para ter água em casa, o ajudante geral faz o trajeto de 30 minutos duas ou três vezes ao dia. São 12 km, ida e volta, a 40 km/h, para que as garrafas não caiam na rua. 

 

Com um racionamento que se arrasta desde fevereiro, a situação em Itu, que tem 165 mil habitantes, se agravou nos últimos meses. A população vem fazendo protestos, alguns dos quais terminaram em confronto com a polícia. 

 

Reservatórios e represas estão há meses em estado crítico devido à falta de chuvas. Com isso, apenas metade do consumo diário de 62 milhões de litros é atendido, inclusive com auxílio de caminhões-pipa. A Promotoria diz que as medidas são insuficientes. A pedido da concessionária Águas de Itu, os carros são escoltados para evitar saques.

 

As filas na bica, um conjunto de dez torneiras numa praça abastecidas por poço artesiano, começaram há 25 dias. Para conseguir levar toda a água que precisam, vizinhos e famílias inteiras se unem e fazem mais de uma viagem por dia ao local. 

 

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