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Uso racional vem antes do racionamento

Armando E. do Valle Junior
| Tempo de leitura: 3 min

A experiência de vivenciar a mais significativa crise de abastecimento de água no Brasil traz muita reflexão. Conscientes de estarmos lidando com um recurso naturalmente escasso, a pauta é muito clara: o que fizemos até aqui para o uso racional da água? Com a estiagem, a fragilidade do sistema de abastecimento e a iminência do racionamento, é preciso avançar no campo das ações. Somando-se às obras estruturais e às campanhas públicas de conscientização, a agenda da indústria tem tido bons resultados com medidas de captação da água da chuva, racionamento e reuso.

Em larga escala, a indústria de eletrodomésticos tem um papel importante para o uso racional. Com vultosos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, por meio de inovação, processos, soluções e produtos com potencial de redução de consumo. Mas o uso sustentável da água no País depende de um projeto conjunto entre indústria, governo e sociedade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece 110 litros de água per capita para consumo e higiene diários. No entanto, estima-se que o brasileiro consuma 250 litros. Neste cenário, economia deveria ser palavra de ordem. Estamos falando da dependência da mudança de hábito da população para evitar o desperdício. Em um país onde é comum ver pessoas lavando calçadas e carros com água pura, é gritante a necessidade de educação.

Em São Paulo, por exemplo, o Governo se mobilizou para promover a mudança de hábito da população. Por meio de uma campanha de incentivo, a Sabesp, companhia de abastecimento, passou a oferecer um desconto de 30% na conta das residências que reduzirem o consumo. 79% dos consumidores na Grande São Paulo conseguiu uma redução de pelo menos 20%. É uma iniciativa que pode ser seguida por outros estados.

Em outra experiência, a Sabesp, em parceria com as indústrias Reckitt Benckiser e Whirlpool, promoveu um desafio que mobilizou 90 residências na cidade de São Roque, interior de São Paulo. Em apenas dois meses, as famílias economizaram 780 mil litros de água ? o equivalente a 80 caminhões-pipa, a partir de uma simples mudança de rotina: lavar a louça em um eletrodoméstico ao invés de lavar à mão. Passado um ano da campanha, os participantes mantiveram a redução de 20%, de acordo com monitoramento da SABESP.

Pela pesquisa do Laboratório Falcão Bauer, em um período de um ano, a economia de água é de 27 mil litros ao lavar a louça à máquina, o que equivale a 55 caixas d?água de 500 litros e pode economizar até 17% do consumo de água de uma casa. Aplicando a conta à crise atual de São Paulo, se 20% dos 3,93 milhões de residências adotassem o hábito, em um ano, a economia representaria 3% do volume total do sistema Cantareira.

A adoção de iniciativas para informar o consumo de água de cada eletrodoméstico ? assim como já foi feito para o uso da energia elétrica, com a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), controlada pelo INMETRO ? podem ajudar o consumidor a tomar a melhor decisão na hora da compra. A conscientização e a educação da sociedade são caminhos viáveis para desenharmos um futuro mais otimista.

O autor é vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Whilrpool Latin America

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