É lamentável que a poucos dias de uma eleição tão relevante como é a da Presidência da República sejamos obrigados a assistir a cenas de baixaria, de nível deprimente, por não falar termos mais pesados, que na verdade servem apenas para desmerecer e desvalorizar a democracia conseguida com lutas e sofrimentos de boa parte da população. Maquiavel deve ter tido um ataque no túmulo, pois com certeza nossos postulantes radicalizaram seus ensinamentos a um nível que ele jamais teria imaginado. Fico pensando em nós eleitores: em quem votar? Como escolher alguém que apresenta diálogos e raciocínios do mais baixo nível? Que critérios, diante desse cenário, vamos seguir para escolher nosso representante que irá tratar temas tão complexos como a reforma política, reforma tributária, reforma educacional, por citar as mais comuns com as quais todos concordam? Que propostas foram apresentadas? Que programa de governo norteia as falas dos candidatos? Mil e uma perguntas que não calam e que querem respostas.
Preocupa o desdobramento do que vivenciamos hoje. Os candidatos despertam e incentivam o radicalismo, o antagonismo, a irracionalidade, a descrença na política, em resumo, mostram como nos vêm, meros objetos votantes como se não merecêssemos um mínimo de respeito e de consideração. Não nos basta enfrentar todos os dias o duro e árduo trabalho mal remunerado ao qual acedemos por estradas e ruas lastimáveis para ouvir, na propaganda eleitoral, desaforos e níveis de civilidade que raiam o aberração. Acusações, denúncias, desmoralização, incriminações, por citar apenas alguns temas do debate político, nos mostram o que valemos: nada.
Que futuro na espera? Na melhor das hipóteses esperamos que o que foi dito seja um jogo de cena, uma performance midiática, um jogo de marketing que será esquecido no dia 27. Na pior das hipóteses, um comprometimento da governabilidade com consequências nefastas para a população. Será que é muito pedir um pouco de respeito para com a população, principalmente os mais carentes? Será que é muito pedir que nos apresentem o que irão realizar nos próximos quatro anos? Será que é muito pedir um pouco de educação quando vem a público?
Como cidadão que se preocupa com o futuro, vejo um presente decadente e fútil. Se houvesse justiça e educação os dois postulantes mereceriam uma punição severíssima e deveriam ser banidos da vida pública. Não estão prestando serviço nenhum ao país com suas atitudes. Quando a liderança mostra esse tipo de perfil, é preferível acreditar que somos melhores do que eles e que nossa crença e desejo de ter uma país melhor está acima deles, aliás, está bem longe do que nos oferecem. Maquiavel, descanse em paz, seus ensinamentos fizeram escola e se aperfeiçoaram chegando a limites que você jamais imaginou. Apesar de tudo, a democracia está viva e sobreviverá porque o povo é melhor do que seus representantes.
O autor é professor adjunto do Departamento de Ciências Humanas da FAAC - Unesp, em Bauru