Malavolta Jr. |
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Precipitação de 34 milímetros não provocou grandes estragos |
A forte chuva que atingiu Bauru, ontem, e a previsão de mais precipitações para hoje reacenderam a esperança para que a cidade possa superar a mais grave crise hídrica de sua história recente. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em pouco mais de duas horas, foram 34 milímetros de chuva, que chegaram, inclusive, à lagoa de captação do Rio Batalha. Choveu, também, em Agudos, onde fica parte da cabeceira do manancial.
Ontem, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) permaneceu retirando água dentro das possibilidades da represa do Batalha. Até 17h, pouco antes da chuva, o nível da lagoa estava em 1,17 metro. Com este volume, duas bombas estavam funcionando.
Mas, em níveis mais próximos a um metro, apenas uma é posta em operação ou todo o sistema é desligado. Às 21h, mesmo com a chuva, o nível do Batalha havia caído para 1,12 metro, possivelmente por conta do maior consumo no início da noite.
Mas, a expectativa era de que o nível fosse elevado ao longo da noite, assim que a precipitação acumulada ao longo do rio e seus afluentes desaguasse na represa do manancial. Além das chuvas prometidas para o fim de semana, as temperaturas mais amenas também devem contribuir para reduzir o consumo de água e, consequentemente, diminuir o ritmo de esvaziamento do rio.
Dano
Ontem, a chuva em Bauru teve início por volta das 18h, com registro de diversas pancadas até por volta das 20h30. As precipitações tiveram maior intensidade principalmente nas regiões leste e oeste da cidade, embora praticamente todo o perímetro urbano tenha sido atingido.
“Na área mais central, a chuva foi mais moderada. Apesar da chuva forte em alguns pontos, não houve registro de tempestade”, comenta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.
As chuvas foram acompanhadas de muitas descargas elétricas e ventos que chegaram a quase 68 quilômetros por hora. Apesar do volume de água e da ventania, não houve registro de grandes estragos, nem mesmo alagamentos críticos nos tradicionais pontos de enchente da cidade.
A ocorrência mais preocupante foi a queda de parte de uma árvore sobre um carro que estava estacionado na quadra 3 da rua Nino Bombonato, na Vila Monlevade, região do bairro Higienópolis. O carro estava vazio, mas foi atingido apenas pela copa da árvore e ninguém ficou ferido. Os galhos, no entanto, romperam cabos elétricos e interditaram a rua. A região ficou às escuras até que a CPFL Paulista reparasse a fiação.
Previsão
Para hoje, a previsão é de mais chuva. De acordo com a meteorologista do IPMet Rita de Cássia César Cerqueira Lopes, novas áreas de instabilidade se formaram dentro do continente e a expectativa é de que tragam precipitações de forte intensidade para Bauru. No domingo, poderá haver chuva fraca e isolada.
As temperaturas ficarão entre 19 e 31 graus no fim de semana. Já a umidade relativa do ar poderá ser de 70% a 80% por conta da alta probabilidade de chuva.
Rodízio seguirá por tempo indeterminado
Até que o Batalha recupere seu nível normal, de 2,6 metros, o racionamento instituído pelo DAE no último dia 15 segue por tempo indeterminado aos 130 mil. Embora o rodízio tivesse a intenção de garantir a distribuição programada de água, o esquema continua sem funcionar como o esperado.
Conforme o JC publicou, devido ao baixo nível do rio, a captação tem sido insuficiente para levar água até as regiões mais altas da cidade. A produção para prover o abastecimento nos horários de pico, de 550 litros de água por segundo, vem sendo derrubada para 250 litros, quando duas das três bombas são desligadas.
Esta manobra, por si só, já impede os bairros mais altos de receberem água, mesmo que estejam dentro das regiões onde deveria haver abastecimento. Com o nível do Batalha perto de um metro, a situação se torna mais crítica, já que, para evitar danos às bombas, o departamento desliga todos os equipamentos em alguns períodos, interrompendo integralmente a retirada de água.
