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Quando fui eleito

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Minha carreira como eleito foi breve e sem brilho. No curso de datilografia (da-ti-lo-gra-fi-a!), fui vice (vice!) presidente da comissão de formatura. Não lembro o ano, mas eu ia de bike Tigrão até a escola e tomava, no bar do lado, tubaína de abacaxi. A escola Josefa Navarro Lemos fica até hoje na Vila Margarida, em Ourinhos, e o professor se chamava Amador Generoso. Eis que, então, montamos a comissão.

O presidente, se não estou enganado, era Paulo Paes ou algo assim. Mas o que marcou mesmo foi uma ferrenha discussão sobre o uniforme da formatura. Queriam que fosse camiseta verde e calça branca. Minha grande vitória foi inverter: e ficou camiseta branca e calça verde. Ou seria o contrário? Consultada para voto de minerva, minha mãe também ficou na dúvida, perdida nos pequenos álbuns de fotos misturadas.

Anos depois, já na Unesp, fui para a diretoria do Dadica. Concorreram as chapas "Sem Tesão Não Há Solução" e a minha, presunçosa "Vanguarda Ampla". Como eu cursava Rádio e TV que, na época, estava apenas na segunda turma, nossa preocupação era ter representatividade. Um colega de curso foi para outra chapa. Eu eleito e, já diretor, percebi certa infiltração político-partidária no poder que, à época, queríamos apartidário. Pulei fora deixando bela carta de renúncia e nenhuma ampla realização.

Essas incríveis histórias sem graça servem para indicar o seguinte: a complexidade política é tamanha que ganhar eleição, no fim das contas, é o de menos. Quero ver é ser brilhante com um mandato nas mãos e tantos interesses de terceiros nas costas.

Durante a semana, candidatos a presidente tentaram resumir tudo a um simples jogo de palavras: trocar o "certo pelo duvidoso" ou "o que está aí pela mudança". Nada é tão raso e absoluto assim. Espero que, quem vencer hoje, saiba que precisa fazer bem mais do que inverter cores de camisa em uniformes de formatura.

O autor é editor executivo do JC

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