A última notícia sobre o viaduto da avenida Comendador José da Silva Marta, dada pelo JC de 15/10, informa que houve um acordo da Prefeitura de Bauru com o Denit com apenas uma alteração no projeto, que seria uma passagem da rua Benevenuto Tiritan para a avenida José Vicente Aiello. Uma espécie de túnel na muralha de terra armada para dar passagem aos moradores do Jardim Terra Branca e adjacências, em demanda à rodovia Bauru-Ipaussu. O projeto, então, permanece com as duas muralhas compactas e duas passagens transversais - a da ferrovia e esta alteração. Uma alteração de pouco benefício porque para quem vai da cidade ou vem para a cidade, que é o maior fluxo, só é possível usando a rotatória lá da ponta, pois não é possível entrar ou sair do viaduto sem ser por ela. E terá aumento no custo da obra.
Sabe-se que há uma intervenção do Ministério Público, que, além da clareza de adequação do projeto, quer a integração com as obras necessárias às outras passagens de nível ferroviário existentes na cidade. Também na prefeitura consta não haver firmeza quanto à decisão tomada, se é que de fato houve uma decisão. Quando comentamos o projeto, em 27/8, sugerimos a passagem por baixo da linha férrea e citamos casos semelhantes, mas tivemos o cuidado de ressalvar que seria somente na hipótese de viabilidade técnica. Discutindo com o senhor Adelmo Bertussi, conhecido técnico no assunto, que já tinha um projeto, verificamos a inviabilidade, dado o perfil topográfico de declive muito acentuado e a proximidade do rio.
A solução, portanto, deve ser a passagem por cima, mas com aterro somente nas cabeceiras. A justificativa é a seguinte: acima da ferrovia é necessário deixar uma passagem para ligação da rua Sorocabana com os bairros do lado ímpar do viaduto. É a futura integração até os Villágios. O rio não pode ser coberto por aterro porque as encostas do Córrego da Ressaca são as que terão maior adensamento residencial, em futuro não muito distante, e a tubulação existente não suportará as enxurradas e haverá alagamento. Ainda está na lembrança como a primeira tubulação do Ribeirão das Flores, sob a avenida Nações Unidas, precisou ser trocada por não suportar o aumento da enxurrada. Imagine o que aconteceria neste caso, com a tubulação sob o aterro. Ali também passa o interceptor de esgoto do Córrego da Ressaca. No futuro, a canalização aberta do rio Bauru também deverá prosseguir rio acima e o aterro seria intransponível.
O melhor, portanto, é um viaduto com aterro de ?terra armada? somente nas cabeceiras, deixando livre o espaço que começa acima da ferrovia e termina depois do rio. Poderia ser feito com as pistas unificadas, como outros viadutos já existentes na cidade e, quem sabe, dar melhor opção para o que fazer com a adutora, que também é outro aspecto a ser encarado. E a área livre poderia ser transformada numa praça. Mas é preciso que o assunto não seja esquecido porque, de repente, podemos estar vendo as caçambas carregando terra para a nossa ?Muralha da China?.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru