Polícia

Hóspede é encontrado morto em hotel de Bauru

Paola Patriarca e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Vítima foi encontrada morta no interior do quarto de hotel, nesta segunda

Corte profundo no pescoço e marcas de sangue na parede. Este foi o cenário do 34.º homicídio deste ano em Bauru. O montador Ademir Guedes, 52 anos, foi encontrado na manhã desta segunda-feira (27) sobre a cama no quarto de um hotel localizado na Vila Cardia. Com “golpe certeiro”, a vítima, segundo a Polícia Civil, pode ter sido morta dormindo. Um desconhecido foi visto durante a madrugada no estacionamento do prédio e pode ser o autor do crime (leia mais abaixo).

O corpo de Ademir foi localizado pela camareira Roseli da Silva, por volta das 7h30. “Ele costumava tomar o café da manhã com a gente bem cedinho, às 6h15. Estranhei que ele não saiu do quarto e fui até lá. A porta estava só encostada, entrei e encontrei Ademir embaixo da coberta com a cabeça para fora. Cheguei bem perto, vi muito sangue e sai gritando”, contou.

As polícias Militar e Civil foram acionadas para atender a ocorrência. Segundo o delegado Ricardo Silva Dias, da Central de Polícia Judiciária (CPJ), havia uma pequena faca no quarto, mas foi descartada a hipótese de ser a arma do crime, devido à dimensão do ferimento.

“Possivelmente, o autor usou uma espécie de facão e deu um golpe certeiro do lado direito do pescoço. A força foi tanta que chegou a seccionar a cervical da vítima”, observou. A Polícia Científica esteve no local para fazer a perícia técnica. “Segundo os peritos, não há sinais de luta corporal. Acredito que ele tenha morrido dormindo”, completou Dias.

Ainda de acordo com o delegado, foram encontrados dois vidros de álcool sobre o colchão e um pedaço de pano queimado próximo ao corpo de Ademir. “Temos a impressão de que o autor pretendia atear fogo no homem e desistiu na última hora”.

Ainda de acordo com o delegado, Ademir consumia bebidas alcóolicas com frequência, no entanto, não há indícios sobre ele ter envolvimento com drogas. “Vamos traçar o perfil da vítima e saber quais pessoas ela se envolvia. Segundo consultamos, Ademir não possuí passagens criminais”.

A reportagem apurou que a vítima, natural de Ivaiporã (PR), estava em Bauru a trabalho desde março e atuava como montadora em uma empresa de equipamentos industriais. Ele dividia o quarto com o encarregado, que mora em Bebedouro e retornou para lá no final de semana.

No período da tarde esse encarregado foi ouvido pela polícia. “Ele disse que havia deixado R$ 80,00 com a vítima. Disse ainda que o colega era uma pessoa tranquila e não havia relatado qualquer ameaça”, aponta Cledson Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Latrocínio?

Segundo o depoimento do porteiro à polícia, um homem teria sido visto andando no estacionamento do hotel, por volta das 3h. “O funcionário viu que o desconhecido entrou sem nada nas mãos e saiu com uma mala. Isso nos faz trabalhar também com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), já que não tinha dinheiro algum na carteira da vítima. Agora vamos analisar as imagens do circuito de segurança do prédio e ouvir as testemunhas”, disse o delegado Dias.

‘Ele era como um pai para nós’, disse camareira

A camareira Roseli contou para a reportagem do JC que era bem próxima de Ademir desde quando se hospedou no hotel. Segundo ela, o montador  havia sido apelidado de “Tigrão” pelos funcionários do hotel. “Ele sempre usava uma bermuda de tigre. Costumava beber bastante, mas sempre foi educado e respeitava todo mundo. Era como um pai para nós. E nós éramos como filhos pra ele”. 

Roseli também lembrou que o montador saía pouco durante as folgas e não costumava levar ninguém para o quarto.  “Ele era de bem com a vida e só lembro uma vez dele chorando de saudade do filho. Já em relação à família, dizia que tinha dois filhos que moravam em São Paulo e costumava viajar às vezes para lá. Uma vez, ele também contou que pretendia trabalhar em um sítio da família no Paraná”, disse.

A proprietária do hotel, Cirene Brazilina Mathias, reparou que Ademir Guedes estava agitado e saiu diversas vezes do quarto na noite anterior ao crime. “Até estranhei. No dia anterior perguntei se o almoço dele já havia chegado, mas ele disse que iria almoçar fora com um amigo. Depois, não o vi mais”, contou.

Comentários

Comentários