Augusto Cesar Martins, 44 anos, bebeu, pegou no volante e quase provocou uma tragédia nesta segunda-feira (27) em Bauru. Por volta das 13h, ele saiu de um bar e, a caminho de casa, invadiu a faixa contrária na quadra 5 da rua José Marques Filho, no Parque Santa Cecília, atropelando quatro adolescentes que caminhavam pela calçada na volta de mais um dia de aula. Não houve feridos graves e Martins recebeu voz de prisão em flagrante por embriaguez ao volante.
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Malavolta Jr. |
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Motorista recebeu voz de prisão em flagrante por embriaguez ao volante |
De acordo com informações da Polícia Militar (PM), o homem trafegava sentido Parque Santa Cecília/Vila Garcia e pegou os jovens de surpresa, já que eles seguiam na frente do carro, um Fiesta com placas de Bauru.
Com traços visíveis de embriaguez, ele foi convidado a fazer o teste de etilômetro (bafômetro), que apontou 0,54 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, sendo que o crime de trânsito se configura com 0,34 miligrama.
Antes de sair do bar, contudo, Martins teria colidido contra o veículo do proprietário do estabelecimento, mas não causou danos. Quanto aos adolescentes - com idades entre 15 e 17 anos -, o atropelamento também não passou de um susto, já que eles apresentaram ferimentos aparentemente leves.
A tragédia, contudo, foi evitada por um triz. O jovem mais velho, de 17 anos, foi arrastado para baixo do carro após o choque. Três dos quatro jovens foram até Pronto-Socorro Central (PSC).
O outro teria ido embora do local antes que a polícia pudesse encontrá-lo. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os nomes das vítimas não serão divulgados.
Segundo os responsáveis pelos jovens, eles eram amigos tanto porque estudavam juntos quanto pelo fato de morarem a poucas quadras uns dos outros.
Insegurança
A reportagem do JC foi até o PSC no início da tarde e encontrou os responsáveis pelos três adolescentes atropelados.
Nenhum conhecia o autor, que mora na mesma região, mas todos afirmaram que a via nunca foi segura, porque não há sinalização e os veículos que passam por lá exageram na velocidade. “Já vi muitas colisões naquela via”, comenta a mãe do adolescente de 16 anos.
Já o avô da vítima de 17 anos - que foi parar embaixo do carro após o atropelamento - estava bastante nervoso e com medo de deixar o neto retornar à rotina de ir e vir da escola a pé.
A mãe da vítima mais nova levou o filho ao PSC depois que tudo passou, porque ele começou a reclamar de dor nas costas. “Eles não estavam fazendo coisas erradas, só voltavam da escola”, desabafa.
Martins foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde o delegado plantonista ratificou a voz de prisão em flagrante
Sem documentos
De acordo com policiais militares que atenderam a ocorrência, Augusto Cesar Martins não portava a carteira de habilitação no momento em que recebeu voz de prisão em flagrante. Contudo, segundo a polícia, ele possuía licença para dirigir. Outra irregularidade revelada pelos militares foi que o carro dele, um Fiesta com placas de Bauru, estava com o licenciamento atrasado.
Esposa conta que já escondeu as chaves do carro e até furou pneus para evitar que homem dirigisse
A esposa de Augusto Cesar Martins, que pediu para não ser identificada, afirmou ao JC que o homem começou a beber há dois anos, porque não soube lidar com as perdas de um dos três filhos e dos próprios pais. Sem conseguir se afastar da bebida, ele adquiriu uma cirrose hepática, provocando o afastamento no INSS. “Somos casados há 15 anos. Ele sempre foi muito trabalhador e um pai exemplar”, confessa a mulher.
Ela, inclusive, já tentou de tudo para evitar que ele saísse embriagado com o carro que estaria no nome dela. “Eu trabalho o dia todo e não consigo controlá-lo”, esclarece a mulher. Desde furar os pneus do carro, esconder a chave e, até mesmo, deixar de pagar o licenciamento. “Ele sempre dá um jeito de sair, ora chama um borracheiro para consertar os pneus, ora um chaveiro para conseguir outra chave”, lamenta a esposa.
Martins foi encaminhado à CPJ, onde o delegado plantonista ratificou a voz de prisão em flagrante e arbitrou uma fiança. A família do homem, contudo, não conseguiu pagar o valor e ele permaneceu preso na Polícia Civil. Na manhã desta terça-feira (28), seria transferido para um estabelecimento prisional.
Pelo adiantado da hora que a ocorrência foi finalizada na delegacia, o JC não teve acesso ao registro da polícia.