Polícia

Adolescentes são atropelados na calçada em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Augusto Cesar Martins, 44 anos, bebeu, pegou no volante e quase provocou uma tragédia nesta segunda-feira (27) em Bauru. Por volta das 13h, ele saiu de um bar e, a caminho de casa, invadiu a faixa contrária na quadra 5 da rua José Marques Filho, no Parque Santa Cecília, atropelando quatro adolescentes que caminhavam pela calçada na volta de mais um dia de aula. Não houve feridos graves e Martins recebeu voz de prisão em flagrante por embriaguez ao volante.

Malavolta Jr.

Motorista recebeu voz de prisão em flagrante por embriaguez ao volante

De acordo com informações da Polícia Militar (PM), o homem trafegava sentido Parque Santa Cecília/Vila Garcia e pegou os jovens de surpresa, já que eles seguiam na frente do carro, um Fiesta com placas de Bauru.

Com traços visíveis de embriaguez, ele foi convidado a fazer o teste de etilômetro (bafômetro), que apontou 0,54 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, sendo que o crime de trânsito se configura com 0,34 miligrama.

Antes de sair do bar, contudo, Martins teria colidido contra o veículo do proprietário do estabelecimento, mas não causou danos. Quanto aos adolescentes - com idades entre 15 e 17 anos -, o atropelamento também não passou de um susto, já que eles apresentaram ferimentos aparentemente leves.

A tragédia, contudo, foi evitada por um triz. O jovem mais velho, de 17 anos, foi arrastado para baixo do carro após o choque. Três dos quatro jovens foram até Pronto-Socorro Central (PSC).

O outro teria ido embora do local antes que a polícia pudesse encontrá-lo. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os nomes das vítimas não serão divulgados.

Segundo os responsáveis pelos jovens, eles eram amigos tanto porque estudavam juntos quanto pelo fato de morarem a poucas quadras uns dos outros.

Insegurança

A reportagem do JC foi até o PSC no início da tarde e encontrou os responsáveis pelos três adolescentes atropelados.

Nenhum conhecia o autor, que mora na mesma região, mas todos afirmaram que a via nunca foi segura, porque não há sinalização e os veículos que passam por lá exageram na velocidade. “Já vi muitas colisões naquela via”, comenta a mãe do adolescente de 16 anos.

Já o avô da vítima de 17 anos - que foi parar embaixo do carro após o atropelamento - estava bastante nervoso e com medo de deixar o neto retornar à rotina de ir e vir da escola a pé.

A mãe da vítima mais nova levou o filho ao PSC depois que tudo passou, porque ele começou a reclamar de dor nas costas. “Eles não estavam fazendo coisas erradas, só voltavam da escola”, desabafa.

Martins foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde o delegado plantonista ratificou a voz de prisão em flagrante

Sem documentos

De acordo com policiais militares que atenderam a ocorrência, Augusto Cesar Martins não portava a carteira de habilitação no momento em que recebeu voz de prisão em flagrante. Contudo, segundo a polícia, ele possuía licença para dirigir. Outra irregularidade revelada pelos militares foi que o carro dele, um Fiesta com placas de Bauru, estava com o licenciamento atrasado.


Esposa conta que já escondeu as chaves do carro e até furou pneus para evitar que homem dirigisse

A esposa de Augusto Cesar Martins, que pediu para não ser identificada, afirmou ao JC que o homem começou a beber há dois anos, porque não soube lidar com as perdas de um dos três filhos e dos próprios pais. Sem conseguir se afastar da bebida, ele adquiriu uma cirrose hepática, provocando o afastamento no INSS. “Somos casados há 15 anos. Ele sempre foi muito trabalhador e um pai exemplar”, confessa a mulher.

Ela, inclusive, já tentou de tudo para evitar que ele saísse embriagado com o carro que estaria no nome dela. “Eu trabalho o dia todo e não consigo controlá-lo”, esclarece a mulher. Desde furar os pneus do carro, esconder a chave e, até mesmo, deixar de pagar o licenciamento. “Ele sempre dá um jeito de sair, ora chama um borracheiro para consertar os pneus, ora um chaveiro para conseguir outra chave”, lamenta a esposa.

Martins foi encaminhado à CPJ, onde o delegado plantonista ratificou a voz de prisão em flagrante e arbitrou uma fiança. A família do homem, contudo, não conseguiu pagar o valor e ele permaneceu preso na Polícia Civil. Na manhã desta terça-feira (28),  seria transferido para um estabelecimento prisional.

Pelo adiantado da hora que a ocorrência foi finalizada na delegacia, o JC não teve acesso ao registro da polícia.

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