Seria bom se a fonte da juventude em Shangrila não existisse somente em contos de fadas. Será? Bom, a sociedade atual não permite mais que envelheçamos, somos compelidos a querer ser um eterno Peter Pan, não envelhecer nunca. Vamos viajar nessa conversa: existe alguma vantagem? Vejamos, no sentido de longevidade com saúde, sim. Mas a coisa vai muito além da saúde física e mental, aquele ditado oriental "Mente sã, corpo são", falta incluir a beleza física, corpo escultural, pernas torneadas, barriga de tanquinho etc. Então, o ditado ficaria assim: Mente sã, corpo são, bonito, novo, sem rugas e sem protuberâncias etc...
Com tudo isso, ficamos com medo da velhice. Diz-se por aí, os 50 anos de hoje são os 30 de antes. Nossa, então não teremos mais vovôs e vovós? Que triste! Acabou o bolinho de chuva, tortas, geleias, biscoitos quentinhos, pão, bolos e doces variados, hum, da água na boca só de lembrar! Pois é, hoje as vovós vão para academia malhar, dançar, aí se alguém chamar de avô e avó, dá briga, pode chamar no máximo tio ou tia, e mesmo assim tem gente que nem isso quer, mas se for para não ficar em fila de banco, aí pode. No tempo dos bolinhos de chuva, não tinha fila preferencial.
São outros tempos, e vamos lá tentar nos adaptar. Não que isso tudo seja ruim, de maneira alguma, tudo tem o lado positivo e o negativo, mas será que não está havendo um pouco de exagero em tudo? E assim como na estatística, os extremos são descartados, não servem para nenhuma compilação de dados. Precisamos, sim, cuidar da saúde corporal e mental, mas valorizar outras coisas importantes tanto quanto a beleza física, experiência, sabedoria, agir sem pressa, sem a impulsividade da juventude. Dizem que com o passar dos anos o braço fica curto para ler, mas a visão fica mais alongada, podemos perceber coisas muito antes de acontecer, antever as consequências. Com tudo isso, podemos dizer que juventude eterna existe sim, vamos continuar vivendo mesmo depois da morte através de nossos filhos, netos e bisnetos, e eles fazendo as mesmas coisas, passando pelos mesmos problemas, sentindo os mesmos medos, um círculo sem fim, por gerações e gerações.
Pois a eterna juventude não pode ser confundida com beleza física. Ela existe, sim, em nosso interior, lá seremos sempre jovens, teremos a idade que quisermos, uma criança com sua alegria e inocência ou um ancião, um matusalém, mas tudo bem, desde que o corpinho seja de 30... Ninguém merece...
Sônyah Moreira