Dois dias após o segundo turno, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ex-vice na chapa de Aécio Neves à Presidência da República, afirmou ontem que rejeita participar de qualquer acordo com a presidente Dilma Rousseff (PT). Para ele, Dilma não tem “autoridade moral” para propor um diálogo. Em inflamado discurso da tribuna do Senado, o tucano disse que Dilma não pode dizer que “não sabia o que estava acontecendo” dos ataques que ele e Aécio sofreram na internet de pessoas “a serviço do PT”.
“Não se pode transformar as redes sociais em um esgoto fedorento para destruir adversários. Foi isso que fizeram. Não diga a candidata Dilma que não sabia o que estava acontecendo. Todo mundo percebia as insinuações que fazia nos debates e os coros nos debates sociais, dizendo que o Aécio batia em mulheres, era drogado. Quem faz isso não tem autoridade moral para pedir diálogo. Comigo, não. Estende uma mão e, com a outra, tem um punhal para ser cravado nas costas”, criticou o tucano.
Aloysio Nunes disse também ter sido informado por familiares de que, nas redes sociais, o nome dele chegou a ser vinculado ao tráfico de drogas.
O tucano disse que pretende discutir reforma política, como defendeu Dilma no discurso da vitória no domingo, mas destacou que antes quer que sejam concluídas as investigações dos escândalos da Petrobras, para que não digam que há “corrupção na política porque faltam recursos de financiamento público para as campanhas”.
Aloysio Nunes reafirmou o discurso de que não dará trégua ao governo. Durante a discussão no plenário da medida provisória 650/2014, que trata da reestruturação da carreira da Polícia Federal, ele disse que a presidente “injuriou a corporação ao dizer que no tempo do Fernando Henrique todos os diretores da PF eram militantes do PSDB”. “E Vossa Excelência foi ministro da Justiça do PMDB. Como é possível exercitar a mentira com tanta desfaçatez”, disse Aloysio, referindo-se ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), titular da pasta no governo FHC.
O tucano disse ainda que Dilma não cumpriu nenhuma das promessas para a PF e para a Polícia Rodoviária Federal.