Política

7 mil esperam por oftalmologia

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Antonio Forte, com deslocamento de retina, está na fila por uma cirurgia

A espera por exames e cirurgias oftalmológicas em Bauru tem hoje uma fila com mais de 7 mil pessoas, apenas na cidade, sem contar a demanda de outros municípios da região, que também são atendidos na rede pública de saúde em Bauru, em locais como o Hospital Estadual (HE) e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME).

Segundo a Prefeitura de Bauru, há 7.635 solicitações de exames e cirurgias com oftalmologistas, cujo atendimento depende de disponibilidade dos serviços de referência conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento é controlado pela Secretaria de Estado da Saúde, informou ao JC a assessoria de imprensa da prefeitura.

Desde setembro, o AME de Bauru passou a oferecer cirurgia de catarata, reduzindo parte da pressão existente no Hospital Estadual. Entretanto, outros tipos de procedimentos, como vitrectomia (cirurgia para corrigir o descolamento de retina), dependem de vagas no HE.

No último mês, o Hospital Estadual concluiu a modernização de equipamentos, com investimento de R$ 1,4 milhão por parte do Estado, e a previsão é que a unidade possa fazer 250 cirurgias oftalmológicas mensalmente a partir de agora. Através da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o Departamento Regional de Saúde (DRS-6), de Bauru, não interrompeu o atendimento a nenhum paciente na área oftalmológica, e que os casos foram encaminhados ou ao HE ou ao Hospital das Clínicas de Botucatu.

A Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), gestora do HE, confirmou os investimentos no Hospital Estadual e que agora mais pacientes poderão ser atendidos na área de oftalmologia. Além do HE, a Famesp gerencia em Bauru o Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel, Hospital Manoel de Abreu e AME.

Demora

Um dos pacientes que aguarda é o coletor de material reciclável Antonio Aparecido Forte, de 61 anos. Ele é deficiente auditivo e praticamente não fala. Agora, corre o risco de perder a visão, pois está com catarata e descolamento de retina, com a visão bastante comprometido. Sem poder trabalhar, depende do auxílio de familiares, amigos e está recebendo o Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência (BCP/LOAS), da Previdência Social.

A cunhada Anísia Tripoli Forte, 61, relata a situação de Antonio. “Ele começou a ter o problema na vista no final de dezembro. Foi em um sábado à tarde, aí levamos ele ao Pronto-Socorro Central e inicialmente ele teria que pingar um colírio. A consulta com um oftalmologista ele só conseguiu para março de 2015. Até esses dias atrás a gente estava esperando o hospital ligar de novo. Na semana passada avisaram que era para ele ir tirar sangue na segunda-feira e hoje (ontem) fez exame cardíaco. Amanhã (hoje), ele passa pelo médico oftalmologista de novo no Hospital Estadual”, conta.

O marido de Anísia e irmão de Antonio, Salvador Forte, também é deficiente auditivo, mas enxerga bem. Ele é quem consegue se comunicar melhor com Antonio. Anísia também se comunica com o cunhado, principalmente através de gesto. Desta forma, ele relatou a ela durante a entrevista que tem a esperança de enxergar bem novamente, usando óculos.

Anísia comenta que Antonio teve descolamento da retina do olho direito e catarata e descolamento da retina no olho esquerdo. “Nossa esperança nessa consulta é que possam dar liberação para ele ser operado. Ele sempre foi uma pessoa muito ativa, até porque sempre trabalhou na rua”, diz Anísia.

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