Bairros

Entidades querem mais proteção a gambás em Bauru

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Os gambás se alimentam praticamente de tudo e têm um papel ecológico importante na natureza, mas, por conta do desmatamento, estão migrando para áreas urbanas, assim como outros animais silvestres, conforme o JC vem noticiando com frequência. Com isso, surge um desafio: como preservá-los?

É para tentar amenizar esse problema que quatro entidades de Bauru se juntaram para promover uma campanha de conscientização e proteção à espécie. A ação deve começar em dezembro e já foi apresentada por representantes das Organizações Não-Governamentais (ONGs) Naturae e Vitae, SOS Gatinhos, SOS Cerrado e Instituto Vidadigna. 

De acordo com os militantes da causa animal, recentemente, começaram a surgir muitos gambás atropelados ou machucados. “Algumas pessoas confundem o gambá com rato ou ratazanas e os matam de forma cruel”, relatou a bióloga Fátima Schroeder, da Naturae Vitae.

Ela acrescenta que, em um período de 15 dias, atendeu três chamados de socorro a gambás feridos ou desorientados. “Na Praça Portugal, resgatei um filhote perdido e, bem próximo dali (cruzamento das ruas Rio Branco com Machado de Assis), outro que foi atropelado e fraturou toda a boca. Ele não resistiu e morreu”, lamentou.

Em uma residência na Vila Aviação, um gambá adulto e dois filhotes foram atacados por cães. “Um dos filhotes conseguiu se esconder. Cuidei dele um tempo e o devolvi para o seu habitat natural. Já a mãe e o outro filhote acabaram morrendo”, contou a bióloga.

Ela acrescenta que os maus-tratos se intensificaram de cinco anos para cá. “Pretendemos fazer uma mobilização visual, com cartazes, panfletos, em redes sociais”, explicou. “O objetivo da ação é justamente mostrar essa problemática e orientar a população a agir com respeito aos animais e procurar órgãos especializados”, completou Schroeder.

A empresária Sandra Regina Ariede, da SOS Gatinhos, se mostrou ansiosa com a proposta da campanha. “Minha expectativa é alcançar o maior número possível de pessoas e mostrar para elas que os gambás estão na cidade apenas para procurar comida”, salienta.

A orientação é para que a pessoa, ao se deparar com um gambá, entre em contato com os bombeiros ou com a Polícia Ambiental. “Caso não tenha esses órgãos na cidade, o certo é induzir o animal a retomar o seu habitat natural”, explicou Ariede.


Impacto

O Secretário executivo da ONG Vidadigna e membro da SOS Gatinhos, Leandro Tessari afirma que o fato é resultante do desequilíbrio ambiental. Ele observou que, em oito meses, apareceram ao menos cinco onças no perímetro urbano de Bauru. Parte delas foi atropelada e morreu.  “Quando diminui uma espécie, altera o bioma do cerrado. É um impacto de desequilíbrio ambiental e os outros animais vão precisar compensar isso”, pontuou.

 

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