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E agora, como fica a economia?

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Lembrando a letra da música intitulada "E agora José?", de Paulo Diniz, chegou o momento de indagar e buscar respostas sobre a condução econômica do Brasil. A letra da música começa assim: "E agora José? A festa acabou, a luz apagou...", e segue perguntando ao personagem o que fará daqui para frente? Ele está sem muito a dizer, sem respostas, "com a chave na mão, quer abrir a porta, não existe porta", e as indagações continuam e a música termina perguntando: "E agora José? José, para onde? E agora José? José, para onde?

Pois bem, é a hora da verdade. Há no mínimo quatro importantes questões que precisam ficar claras para que efetivamente os agentes econômicos possam voltar a dar crédito ao governo do PT, recém-eleito: 1- Como ficará o controle das contas públicas; 2- Qual a estratégia para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% ao ano; 3- Qual a estratégia para retomada do crescimento econômico e 4- Qual a política para o comércio exterior brasileiro notadamente na questão cambial. É evidente que há muitos outros pontos que também precisam ser equacionados, como por exemplo, a queda na geração de vagas de trabalho, os investimentos em infraestrutura, as reformas estruturais (tributária, administrativa, trabalhista, política, entre outras), etc., contudo, o básico da condução econômica precisa ser enfrentado.

O mercado está debilitado. O desemprego somente não é influenciado porque aumentou o número de desalentados (pararam de procurar emprego), bem como àqueles que "deram um tempo" usufruindo do seguro-desemprego, ainda o retardamento no ingresso no mercado de trabalho por parte dos jovens, caso contrário, com o pífio crescimento da economia, o desemprego estaria explodindo. A inflação é preocupante. De todos os produtos pesquisados pelo IBGE para apurar a inflação oficial, cerca de 60% deles são indexados ou pelo dólar ou por reajustes automáticos (preços administrados). Quando a inflação do período anterior for elevada, como será o caso deste ano, a inércia da inflação já remete a índices elevados para o ano seguinte. Vale sempre lembrar que inflação alta retira poder de compra dos assalariados, gera incertezas e aumenta o abismo entre ricos e pobres. O governo não consegue controlar suas contas. Pratica a 3ª maior carga tributária do mundo e a cada mês o déficit público se acentua. Projeta-se um déficit nominal de 4,5% do PIB. Com gastos elevados, não há excedentes para investir. Dos 18% de investimentos previstos para este ano, a União responderá somente com 1,1% (teremos 4,2% se considerarmos os Estados, Municípios e Estatais), é muito pouco.

O setor externo é outro desafio. O déficit em transações correntes, puxado pelo baixo desempenho da balança comercial, exige a atração do capital especulativo, posto que os investimentos diretos caíram. Mercado sem excedentes na conta externa amplia a especulação na taxa de câmbio. Mercado cambial nervoso não serve nem para importar como para exportar. Os juros básicos terão que ser elevados para criar um colchão de conforto nesta área. Neste contexto todo, o total da dívida pública líquida beira os 40% do PIB. Preocupante.

Enfim, são imperativas ações rápidas, na direção certa, e se o governo não conseguir agir em todos os campos, que ao menos acalme o mercado, mais do que isso, que influencie no resgate da confiança dos agentes econômicos. Este pode ser um primeiro passo. E agora José? Ou melhor, e agora Dilma? A eleição acabou, a festa acabou, as incertezas estão aí: e agora, Dilma?

O autor é economista e articulista do JC

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