Duas famílias perderam parte dos telhados de fibrocimento das residências, na tarde desta quarta-feira (29), no Jardim Redentor. O acidente pode ser explicado pela formação de redemoinhos localizados por conta do calor. O susto foi grande: três carros que estavam estacionados em frente às casas foram atingidos pelas telhas, mas, por sorte, ninguém ficou ferido.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru Álvaro de Brito, o fato ocorreu por volta das 14h30 em casas vizinhas que ficam na quadra 4 da rua São Lucas, no Jardim Redentor. Quando Brito chegou para verificar se as famílias ainda tinham condições de permanecer nas casas, elas já estavam substituindo as telhas.
As telhas caíram na rua, mas não passava nenhum pedestre no momento do acidente. Sirlene Renata Lopes, 44 anos, mora com o marido, a sogra e a filha em uma das casas. Ela afirmou ao JC que as telhas que ficam no teto da sala se desprenderam e toda a família estava neste cômodo. “Fomos protegidos pelo forro, que fez com que as telhas fossem para a rua”, diz.
Na casa ao lado, as consequências foram um pouco piores, porém, também não graves. As telhas pertencentes ao banheiro e à cozinha foram retiradas. Elas caíram tanto no quintal quanto na parte da frente da residência. Alice Batista dos Santos, 86 anos, estava assistindo televisão com os dois filhos na sala. “Nada aconteceu conosco, foi mais um susto mesmo”, comenta.
Os moradores que tiveram as casas destelhadas de forma parcial disseram que é comum o fato na região. Portanto, Álvaro de Brito, da Defesa Civil, aproveita para orientar as famílias a instalarem as telhas de fibrocimento seguindo as especificações dos fabricantes para evitar que algo pior aconteça.
Redemoinhos
Mas alguém reparou que ventou ontem em Bauru? O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou ventos bastante leves. A máxima foi pouco após a meia-noite, quando atingiu 25,4 quilômetros por hora. Então, o que teria provocado o destelhamento dessas residências? Segundo o IPMet, podem ter sido redemoinhos localizados, causados por uma junção de fatores, incluindo as altas temperaturas.
“Quando está quente, o ar que fica perto da superfície esquenta e precisa subir. Em algumas ocasiões, ele acaba subindo com maior intensidade e violência, formando alguns redemoinhos bastante localizados”, explica o meteorologista do órgão Fernando de Almeida Tavares. Apesar de longe dos recordes registrados nas últimas semanas, na tarde de ontem, a temperatura realmente foi alta. Os termômetros do IPMet marcaram, às 15h45, máxima de 34,3 graus.