Economia & Negócios

Poupança cresce 58% em quatro anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Considerada uma modalidade de investimento simples e segura, a caderneta de poupança continua entre as aplicações preferidas dos bauruenses. Somente nos últimos quatro anos, o volume depositado cresceu 58,15% na cidade, segundo dados do Banco Central.

Em julho deste ano, o acumulado alcançou R$ 1,606 bilhão, ante o R$ 1,015 bilhão somado até o mesmo mês de 2010. O montante de 2014 já é 11,58% superior ao que foi registrado em meados do ano passado.

Hoje é o Dia Mundial da Poupança e, apesar do nível de endividamento e da fama de má-educação financeira da população, as aplicações continuam em expansão, conforme análise do economista José Dutra Vieira Sobrinho. “O brasileiro confia na poupança, que, embora não tenha os melhores rendimentos, apresenta um risco baixo e não demanda muito conhecimento em economia para as aplicações. Trata-se de uma modalidade que tem crescido em todo o País”, comenta ele, que é professor de matemática financeira e vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.

Presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos explica que este perfil de investimento simples e prático se explica devido ao histórico. Com a proteção do poder público, a caderneta foi criada para ser uma reserva financeira para as pessoas de baixa renda, como forma de auxiliá-las, principalmente, no momento em que decidissem se aposentar.

Mas, de acordo com Dutra, a modalidade, hoje, é mais indicada para investimentos de curto prazo. Um exemplo é o indivíduo que deseja fazer uma viagem e decide guardar dinheiro ao longo de um ano. “E ela é mais indicada para quem tem condições de aplicar quantias não muito significativas, de R$ 100,00, R$ 500,00 ou R$ 1 mil por mês”, completa.

Vantagens

Atualmente, com a taxa Selic acima de 8,5% (foi elevada para 11,25% na última quarta-feira), a poupança rende 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR). Quase sempre, ela é menos vantajosa do que as aplicações em fundos de investimento. Mas, dependendo das taxas de administração cobradas nestas modalidades, ainda pode ser mais rentável.

Além da isenção de taxa, Reinaldo Domingos aponta como vantagens o fato de a caderneta não sofrer tributação de imposto de renda ou imposto sobre operações financeiras (IOF), além de possuir garantia do Fundo Garantidor do Crédito (FGC) de até R$ 250 mil. “Além disso, é possível sacar a quantia investida a qualquer momento, só atentando-se para escolher bem o dia, pois pode-se perder rentabilidade”, destaca ele, que é criador da metodologia DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar) de educação financeira.

Domingos lembra que a caderneta funciona no sistema de “aniversário”, em que a remuneração dos juros de um valor só é obtida um mês após a aplicação desta quantia. Outro aspecto que, segundo o educador financeiro, é mais atrativo aos investidores, é a praticidade para adquirir o serviço junto ao banco.

“Bastando comparecer em uma agência bancária portando RG, CPF e comprovante de residência ou acessar a conta pelo site/aplicativo do banco na internet”, finaliza.


A data

Hoje, dia 31 de outubro comemora-se, no Brasil e no mundo, o Dia da Poupança. A data foi instituída em 1924, durante um congresso internacional de economia, na Itália. No Brasil, é comemorada desde 1933.


Elevação da Selic reduz a vantagem

Anunciada na última quarta, a elevação da taxa Selic para 11,25% ao ano deixou a poupança ainda menos vantajosa em relação às aplicações de renda fixa mais seguras do mercado. Com o novo índice, CDBs pós-fixados, fundos DI e títulos públicos negociados via Tesouro Direto ficaram ainda mais rentáveis, já que suas remunerações estão ligadas à variação da taxa.

A vantagem em relação à poupança aumentou porque, enquanto esses investimentos rendem à medida que a Selic aumenta, a caderneta para de acompanhar a taxa quando ela passa dos 8,5% ao ano. Conforme o sistema de remuneração da caderneta que entrou em vigor há dois anos, a poupança rende 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR, taxa próxima a zero) quando a Selic é menor ou igual a 8,5% ao ano. Mas, quando a taxa passar, paga sempre 0,5% ao mês mais a TR, a mesma remuneração da regra antiga, ainda válida para depósitos feitos até 3 de maio de 2012.


Foco, disciplina e prioridade

Seja qual for o perfil do consumidor, Reinaldo Domingos afirma que reservar parte da renda para realizar sonhos é possível, desde que haja foco e disciplina. O ideal é definir três sonhos materiais – de curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo (acima de dez anos) prazos.

Ele recomenda que, dentre esses sonhos, estejam a liquidação de dívidas (caso as tenha) e a aposentadoria com independência financeira. A partir disso, deve-se calcular o valor necessário a ser poupado por mês, dentro dos prazos pretendidos.

O valor a ser poupado deve ser priorizado, ou seja, descontado dos ganhos e, com o saldo restante, é que se define o real orçamento ou padrão de vida que o indivíduo ou a família deverá adotar. Para essa readequação, recomenda-se um balanço anual da situação financeira e um diagnóstico de gastos diários durante 30 dias, para identificar para onde está sendo destinado cada centavo e facilitar a escolha de corte de supérfluos.

FALA POVO

Você aplica dinheiro em poupança?

Já apliquei, mas, hoje, não. Rende muito pouco e não compensa. Quando preciso, guardo dinheiro em casa ou parcelo a compra. Cícero Gonçalves Branco, 48 anos, cabeleireiro

Nunca apliquei. Quando preciso comprar alguma coisa mais cara, guardo dinheiro em casa, na gaveta, e pago à vista. Aparecida Xarim, 33 anos, funcionária administrativa de telemarketing

Tive por muito tempo, mas fechei a conta. Há cerca de um ano, reabri e tento guardar R$ 50,00 ou R$ 100,00 todo mês, mas não é sempre que dá.  Sueli Souza, 50 anos, agente social

Sim, tenho poupança há alguns anos como garantia, caso haja algum imprevisto, como desemprego. Todo mês, tento guardar 10% da renda. Murilo Ultramare, 35 anos, psicólogo

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