Rodrigo Agostinho (PMDB) tenta minimizar embaraços e tratar do assunto com naturalidade, mas tem pressa na troca de liderança do governo na Câmara Municipal. O prefeito pretende, já nesta segunda-feira, enviar ofício à Mesa Diretora do Legislativo indicando um novo nome para o posto ocupado há seis anos pelo vereador Renato Purini (PMDB).
Markinho da Diversidade (PMDB) é, segundo o próprio prefeito, o mais cotado para se tornar o porta-voz e para-raios do Palácio das Cerejeiras. O parlamentar já se colocou à disposição para o cargo, de caráter meramente simbólico, por não dispor de previsão regimental, mas de extrema importância no aspecto da articulação política, pouco valorizada pelo governo Rodrigo.
Agostinho explica que buscou um nome dentro de seu partido. Markinho é o único membro da bancada peemedebista que votou contra a instauração da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para o caso Lacon. O episódio foi estopim para o acirramento da relação entre o prefeito e Purini, já desgastada ao longo do tempo. (Leia mais abaixo)
Mesmo fora do PMDB, Carlão do Gás (PR) era outro nome que poderia assumir a liderança do governo na Câmara. O parlamentar, contudo, está empenhado na campanha para se eleger presidente do Poder Legislativo, em votação marcada para o dia 15 de dezembro.
“Historicamente, o Carlão tem feito essa defesa forte da nossa administração. Mas entendemos que, de certa forma, assumindo a liderança, estaria prejudicando sua candidatura. Ele mesmo acabou declinando”, relata Rodrigo, que se empenhou pessoalmente nas articulações em torno da troca de seu líder.
O prefeito pondera que a mudança é natural e acontece de forma tranquila, ao pontuar que Renato Purini já sentia, há algum tempo, a necessidade de passar o bastão. “Ao mesmo tempo, saímos agora de um processo eleitoral e tivemos o PMDB dividido depois da história da CEI”, argumenta.
Mudança?
A falta de diálogo de Rodrigo com o Legislativo é motivo constante de reclamações dos vereadores. Markinho da Diversidade já teria acenado que, para aceitar a liderança, exigiria sinalização de mudança de conduta do chefe do Executivo, que, por dezenas de vezes, já surpreendeu sua base com o envio de projetos inesperados que inviabilizavam qualquer tipo de defesa pública.
Agostinho reconhece a própria deficiência e tenta justificar seu perfil. “Eu acho importante melhorar a relação com a Câmara, mas não é fácil conversar com todos, afinal, são 17 parlamentares. Além disso, é muito grande a demanda de serviço na prefeitura. Independentemente de tudo isso, vou me esforçar ao máximo”.
Relação explosiva
Renato Purini (PMDB) já vinha sinalizando sua vontade em sair da liderança do governo, mas, como noticiado pelo Jornal da Cidade, planejava deixar o posto só em 2015. Surpreendeu, no entanto, a movimentação do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para acelerar o processo e a prontidão de membros da base aliada em cooperar com a mudança.
Assim como os vereadores Faria Neto (PMDB) e Telma Gobbi (PMDB), o quase ex-líder votou em favor da CEI da Lacon na última segunda-feira, mas a articulação de Purini em favor da investigação foi muito além.
O peemedebista encabeçou as assinaturas para o protocolo do pedido de CEI e, mais, à frente da Comissão de Obras, suscitou os problemas no contrato entre a prefeitura e a empreiteira para a reforma de escolas e de outros prédios do município.
Em meados de junho deste ano, a dedicação de Renato no caso Lacon teria sido motivada pela falta de empenho de Rodrigo na viabilização de seu projeto para concorrer a deputado estadual, pois o prefeito não compareceu ao ato de lançamento de sua pré-candidatura.
Os dois, no entanto, pareciam ter se reaproximado durante a campanha de Purini, mas a articulação pela CEI voltou com força logo após o fim do processo eleitoral, com a divulgação do relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontava diversas irregularidades no contrato da Lacon com a administração.