Em primeiro lugar, gostaria de agradecer os inúmeros compartilhamentos de dois textos de minha autoria publicados nas redes sociais. Procurei em ambos alertar sobre os males e retrocessos de uma virtual vitória do candidato Aécio Neves e me vali de um discurso (propositadamente) fatalista no intuito de levar o leitor a de fato se aprofundar na possibilidade da vitória dos tucanos o que, no meu entender, seria a pior opção para o desenvolvimento das forças produtivas no Brasil.
O intuito também era provocar uma reação mais militante e combativa de setores progressistas que julgavam ambas as candidaturas idênticas. Declarei sempre meu voto em Dilma e caso tenho colaborado - o mínimo que seja - na direção de um voto mais consciente, me sinto sinceramente realizado. Entretanto, nesse momento gostaria de convidar a todos aqueles que se sentem vitoriosos com a eleição de Dilma para abandonar qualquer sentimento triunfalista.
Dilma Rouseeff e Aécio Neves tiveram, nessas eleições, a capacidade de dividir uma nação unida por enormes injustiças sociais e vitimadas por um modelo socioeconômico desumano e destruidor dos fundamentos mais elementares de nossa civilização e que em pouco tempo poderá tornar a própria vida inviável nesse planeta.
Aqueles que estão felizes com a vitória de Dilma devem entender com sinceridade, sensibilidade e inteligência a frustração daqueles que votaram em Aécio. Votaram - no meu entender - de forma equivocada, mas com a esperança de um país melhor, mais justo e com a condução da vida pública de forma mais ética e menos corporativista. Estavam errados em desejar isso para o Brasil? Em hipótese alguma! O erro deles talvez tenha sido em acreditar que Aécio era o candidato que representava essa mudança.
Gostaria também de refutar análises precipitadas sobre a votação do Estado de São Paulo. Muitos agora querem se convencer de que esse é o Estado mais reacionário do país. Essa não é uma posição que se sustenta. Há muito tempo os paulistas são - na prática - cidadão de segunda classe nesse atual modelo republicano. Pagam uma carga tributária enorme e possuem uma representatividade no Congresso e no Senado, mínimas.
São Paulo poderia ser muito mais e melhor não fosse essa sórdida união de petistas e tucanos para nos tornar "escravos" do Brasil. Esse Estado votou em Aécio por achar que o mesmo iria mudar isso. Erraram no candidato, mas acertaram na intenção. Todos nós devemos lutar por um Estado de São Paulo representado de forma equivalente com aquilo que de fato colabora com a União. Isso é lutar por um princípio elementar de justiça.
Por outro lado, aqueles que estão com ódio daqueles que votaram na Dilma não devem em hipótese alguma demonizar esses eleitores. Creio que são raros aqueles que achavam Dilma minimamente simpática e o PT como seu maior representante. Votaram, em sua maioria, por pensar que essa era a opção "menos pior". Porque, apesar de tudo, esse governo ajudou os mais pobres (de forma assistencialista, claro), fortaleceu relações internacionais que foram para além do alinhamento "Washington - Europa" e colocou as forças produtivas desse país em condições de se desenvolverem melhor. Apenas isso.
Peço, enfim, uma última reflexão: esse país não vai acabar por causa da vitória da Dilma e nem vai virar um paraíso devido à derrota de Aécio. Uma eleição que tinha dois péssimos candidatos - que mais se igualavam na infâmia do que se diferenciavam em virtudes - conseguiu criar ódios e divisões justamente naquilo que nosso país tem de melhor. E o que temos de melhor em nosso país? Simples: Cada um de nós. Caso esse ódio e essa divisão sejam os mais contundentes resultados dessa eleição, apenas podemos defini-la de uma forma: "Maldita Eleição".
Carlos D?Incao