Demorou, mas chegou o esperado dia 26 de outubro, marcado no calendário eleitoral para a escolha do Presidente da República do próximo quadriênio. A previsão de uma disputa acirrada de votos entre os dois candidatos indicava que a vitória seria apertada e seu anúncio para as 20h daquele domingo mexeu com a ansiedade do eleitor, notadamente quem votou no período da manhã sobrando mais tempo para saber se o voto no seu candidato somou-se na maioria desejada a todo custo pelos disputantes.
No rigor do horário britânico, a vitória da atual presidente foi anunciada seguida de um curto espocar de fogos de artifício nos quadrantes de nossa cidade, entusiasmo que, provavelmente, seria o mesmo se o resultado da eleição fosse invertido, dando mostras de que o fanatismo do eleitor, caso ainda exista, fica encerrado com o resultado decisivo das urnas. A vitória do Corinthians em clássico esportivo nas variadas competições em curso provoca muito mais alvoroço de seus apaixonados torcedores em todo o Estado.
Agora, ao eleitor como eu que votou no candidato derrotado, cabe dignificar o seu papel de cidadão que deseja o melhor para o País, para si e para seus compatriotas, concedendo um voto de confiança à presidente eleita, aplaudindo como pode as medidas acertadas que prometeu praticar durante a campanha, afim de reconduzir o País nos eixos, em todos os seus aspectos e despertá-lo da letargia econômica que o restringe no mercado internacional. Será forçoso encontrar meios à recuperação dos setores deteriorados por causa do declínio da qualidade de gestão, visivelmente percebido e sentido nos últimos dois anos, dividindo com os novos ministros de Estado, dos quais espera-se reconhecida competência nas áreas em que atuam, predisposição a intransigente defesa dos interesses coletivos e engajamento no trabalho com entusiasmo e patriotismo.
Os equívocos que porventura venham a ser cometidos pela presidente e seus auxiliares não devem ser recebidos passivamente pelos brasileiros. Nada pode ser feito pelo cidadão em termos de efetiva providência individual contra erros ou fancarias do chefe do Poder Executivo, mesmo que se sinta lesado indiretamente pelo ato prejudicial (como contribuinte), como vem acontecendo com o abandono de obras iniciadas, acertos econômicos espúrios entre políticos e servidores para favorecimento de terceiros, dentre outras mazelas. Inobstante, ao cidadão é assegurada a representação aos organismos de controle sobre as irregularidades aventadas, com vistas a adoção de medidas corretivas e saneadoras.
Administrar um País com excesso de ministérios, muitos criados sem alguma função que atenda ao interesse da União, mas no propósito subalterno de quitar as promessas de campanha eleitoral, entulhando suas repartições com apaniguados, geralmente pessoas de baixa produtividade e dominadas pela preguiça e nomeadas sem concurso público. Outros órgãos de importância administrativa contêm milhares de cargos em comissão destinados ao pagamento de favores políticos. São preenchidos por servidores que tomam o lugar de especialistas, aptos a orientar a Presidência da República na recuperação da produção industrial, tornando-a de boa qualidade, de elaborar projetos a fomentar a sofrida agricultura e demais setores produtivos advindos da terra, colaborando diretamente na recuperação da boa forma do País no ringue da competição, superando outros países de menor expressividade política no cenário mundial, mas que foram conduzidos ao crescimento dentro de uma política adequada para nos tomar a dianteira.
O autor é professor universitário aposentado