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Analfabetismo político

Henrique Luiz Monteiro
| Tempo de leitura: 3 min

Há várias formas de analfabetismo. O analfabeto absoluto é definido pela falta de acesso à educação formal e, portanto, compreende um conjunto de indivíduos que não dominam a leitura, a escrita e a realização de operações matemáticas básicas, essenciais à vida em sociedade. O analfabetismo funcional é aquele em que o indivíduo não consegue continuar usando a leitura, a escrita e o cálculo a serviço do seu próprio desenvolvimento e de sua comunidade. Dados do Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (2005) atestam que o analfabetismo funcional já atingiu a cifra de 68% da população brasileira e, no Censo demográfico de 2010, esta taxa caiu para 20,3%, o que ainda não é pouco, porque isso representa 1 em cada 5 brasileiros nessa condição.

Não obstante, situação igualmente preocupante e que parece ameaçar o quadro de estabilidade do processo democrático é o "analfabetismo político". É muito entristecedor observar que muitos brasileiros instruídos confundem política com futebol ? tratam partidos políticos como seus "times do coração". Tratam os atores sociais da política vigente como se estivessem na arquibancada de um estádio, utilizando palavras de baixo calão e fazendo piadas, não apenas as de gosto duvidoso, mas também as que estimulam o preconceito e o ódio.

O que faz o "analfabeto político"? É o indivíduo que por ter uma percepção equivocada ou mal intencionada da realidade que o cerca, confunde corrupção com corruptor, político com partido político, benefícios sociais com assistência social, universalização do acesso a educação, saúde, lazer e segurança como uma possibilidade de redução da perspectiva de lucros e benefícios pessoais.

Este momento de manifestações tão estapafúrdias e desastradas talvez seja também ocasião propicia para que o população se mobilize e passe atuar, não como agente passivo no processo democrático, mas como agente político e atuante junto às lideranças que elegemos ou foram eleitas pelo desejo da maioria. É, por exemplo, o momento de atacar a corrupção, mas não ameaçando pessoas e instituições, mas atuando para destruir os mecanismos pelos quais ela acontece. Nós, paulistas, assim como as forças políticas desta cidade, deveríamos convidar nossos representantes no Congresso Nacional, todos eles, de todos os partidos políticos, inclusive nosso representante mais votado (conhecido por Tiririca), para que recebam da população indicações de quais medidas gostaríamos que fossem implementadas para combater de fato a corrupção neste país, seja nos escândalos da Petrobras na esfera federal, do metrô paulistano, no âmbito estadual, ou na Associação Hospitalar de Bauru, para exemplificar algo da realidade municipal. É preciso criar leis severas que sejam capazes de punir não apenas os gestores públicos, mas também empresários e agentes de mercado, bem como todos aqueles viabilizam a corrupção. Devemos nós, cidadãos brasileiros que vivemos nesse Estado da federação, conclamar nossos senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), Antonio Carlos Rodrigues (PR) e José Serra (PSDB), que ocupará a cadeira atual de Eduardo Suplicy (PT) a partir de janeiro, para que trabalhem de forma articulada com os representantes do Congresso Nacional (todos, inclusive o Titirica) para criar mecanismos que coloquem fim a esse mal que está infiltrado em todas as esferas de governo, no mercado financeiro, nos agentes produtivos e, por que não dizer, nas mais diversas instâncias de uma sociedade democrática, inclusive no seio das famílias brasileiras.

Basta de tantas demonstrações públicas de "analfabetismo político". Manifestações dessa natureza só envergonham o povo brasileiro. Quem constrói o Brasil é você, eu, cada cidadão comprometido com a missão de fazer de uma colônia portuguesa uma nação soberana e um lugar melhor para todos viverem.

O autor é professor, doutor na Faculdade de Ciências da Unesp ? câmpus de Bauru

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