Tribuna do Leitor

O ócio construtivo e criativo


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Quando dizemos ócio, nos vem à mente preguiça, mas será isso mesmo? Vejamos, na antiguidade, mais especificamente na Grécia, onde o ócio era cultuado por grandes pensadores e filósofos, muita coisa do que vemos hoje, a origem, o conceito, vem daquele tempo.

Nisso começa nossa história. Precisamos ter ociosidade às vezes, as grandes ideias surgem quando estamos ociosos. A verdade é que não pensamos mais, agimos como autômatos, robôs, deixamos de parar e pensar de nos colocarmos no lugar do outro de divagar em pensamentos, florear um pouco, sonhar, viajar na maionese para ser mais popular nas palavras.

Para pensar precisamos parar, é quase impossível estar fazendo algo e pensando ao mesmo tempo, agimos como um avião no piloto automático. Quer ver como isso funciona? Faça um teste, sente-se, seja em uma praça ou um consultório, em algum lugar, aproveite o ócio para praticar a ociosidade, comece a observar ao seu redor, analisar, prestar atenção aos menores detalhes, você vai se surpreender com as ideias que surgirão, com as coisas que vai perceber e nunca havia observado, ou enxergar algo por outro ângulo de uma forma diferente.

Será que não está faltando um pouco de ociosidade em nossas vidas? Correr menos, conversar mais, observar mais, tempo para perceber que as pessoas a nossa volta, cada uma delas tem seus dramas, suas alegrias, suas histórias, que a falta de pensar, está nos tornando robôs, sem sentimento, indiferente ao problema do outro, nos transformando em máquinas.

Podemos citar um filme de Charles Chaplin, de 1936, Tempos Modernos, em que ele interpreta um funcionário da indústria moderna apertando parafusos em uma esteira rolante até ser engolida por ela. A impressão quando olhamos a cena é que ele não pensa mais, não observa a velocidade da máquina, apenas aperta automaticamente os parafusos. Será que Chaplin estava profetizando o futuro?

Digamos então que o ócio nos faz raciocinar, criar, exercitar o cérebro, que para desenvolver-se precisa de energia. Para tanto, precisamos parar um pouco, para não nos tornarmos máquinas, e como na cena do filme não sermos engolidos vivos.

E aí? Vamos praticar o ócio construtivo e criativo?

Sônyah Moreira

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