Aceituno Jr. |
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Uma família armazena água sem saber do risco de proliferar Aedes |
Na região do Parque Viaduto, em Bauru, uma família armazena água em garrafas, galões e baldes, sendo que estes últimos recipientes ficam sem tampa. Por conta do desabastecimento que assola a cidade, é o único jeito de ter água para eles. Todavia, sem saber, criam um ambiente perfeito para que o mosquito da dengue se desenvolva. Inclusive, segundo dados divulgados ontem, Bauru permanece em alerta quanto à infestação do mosquito que causa a doença, com o dobro de infestação da considerada limite.
De acordo com o agente de saneamento da Vigilância Ambiental do município Roldão Antonio Puci Neto, nos 5.214 imóveis vistoriados para o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa), que foi divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 228 recipientes de armazenamento d’água em condições de abrigar larvas do mosquito.
“Por conta do rodízio, que começou três dias depois que demos início ao Liraa, muitas pessoas guardam o líquido de forma incorreta. O número de recipientes encontrados não é elevado, mas é preocupante”, defende o agente de saneamento da prefeitura. Neto acrescenta ainda que a seca não evita que as larvas se proliferem, porque as pessoas continuam agindo de forma a facilitar o desenvolvimento delas.
Para o agente, a seca não influencia na incidência do Aedes, já que não choveu muito no período de agosto a outubro, quando o levantamento preconizado pelo Ministério da Saúde foi concluído. “Ainda falta iniciativa por parte dos moradores. Nós fazemos a nossa parte no sentido de ir até as residências em busca de focos do mosquito, visitar pontos estratégicos, além de proporcionar palestras e capacitações ao público gratuitamente”.
Liraa
Bauru está em estado de alerta para o risco de nova explosão de casos de dengue no próximo verão. Realizado em outubro pela Secretaria Municipal de Saúde, o Liraa apontou que o nível de infestação do mosquito na cidade está bem acima do ideal. Com a chegada da época chuvosa e do calor, o inseto se prolifera com maior facilidade e, com isso, o índice tende a aumentar.
Realizado entre os dias 13 e 31 de outubro por agentes de endemia, o Liraa demonstrou que o índice de infestação em Bauru está em 1,9, ou seja, foram encontradas larvas de Aedes aegypti em 1,9 imóveis de cada 100 pesquisados. No total, foram visitados 5.214 imóveis e a presença do mosquito foi detectada em 94 deles. O índice considerado ideal pelo Ministério da Saúde é menor que 1. Acima de 3,9, há risco de epidemia ou surto de dengue.
Em Bauru, o Liraa do ano anterior havia registrado um índice de 2,1. Roldão Antonio Puci Neto afirma que a redução é mínima e que ambos os índices podem ser aproximados para 2 ocorrências em cada 100 imóveis. “Não é possível falarmos em redução”, justifica o agente.
O Ministério da Saúde classifica o resultado do Liraa como satisfatório, em alerta ou de risco. No País, dez capitais estão em estado de alerta (leia mais na página 16) e, em todo o Estado não houve uma cidade com risco de uma epidemia. Na região de Bauru, quatro municípios estão em estado de alerta e outros nove tiveram um resultado satisfatório (veja quadro abaixo).
Reclamação
O JC não deixou de receber reclamações de falta d’água, ontem. Maria Ângela Rocha mora na rua Fumio Yamashita, Vila Industrial, e está com as torneiras secas há nove dias. “O jeito é ir até a casa da minha mãe”, diz. O DAE explica que a água não tem pressão para chegar nas áreas mais altas e orienta os moradores a pedir caminhões-pipa pelos telefones 08007710195, para ligações feitas de telefone fixo, ou 3235-6140 e 3235-6179, para quem liga do celular.
O DAE afirma ainda que realiza a licitação na modalidade pregão presencial para adquirir mais três caminhões-pipa hoje, às 9h. A autarquia também recebeu seis motocicletas para transporte de carga, adquiridas em agosto deste ano por meio de licitação.
Aedes: maior infestação é na zona sul
Na cidade, segundo o Liraa, a região com maior incidência do Aedes aegypti é a zona sul, onde se concentram os bairros Vila Universitária, Altos da Cidade, Jardim Estoril, Jardim América, Jardim Europa, Jardim Aeroporto, Parque das Nações, Jardim Samambaia, Paineiras, Vilagio 1, 2 e 3, Tívoli 1 e 2 e Spázio Verde. Nesta área, 442 imóveis foram visitados, resultando em um índice referente a 2,9.
Já a região com menor índice de infestação, na ordem de 0,4, concentra os bairros Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim Redentor, Jardim Carolina, Geisel, Parque das Camélias, Jardim Contorno, Vila Coralina, Vila Monlevade, Jardim Niceia, Vila Engler, onde 449 imóveis receberam a visita dos agentes de endemias.
Segundo informações da assessoria de imprensa da prefeitura, em 2014, até o momento, Bauru registrou 403 casos confirmados de dengue, sendo 376 autóctones, 27 importados e nenhum óbito. Em 2013, no ano todo, foram 7.429 casos autóctones e dois óbitos. No ano passado, inclusive, a cidade registrou a maior epidemia de dengue de sua história.
Chuva não deve suspender o rodízio
A chuva rápida que atingiu Bauru, na noite de ontem, não deve ser suficiente para reabastecer a lagoa de captação do Rio Batalha e, assim, garantir a suspensão do racionamento, que entra, hoje, em seu 22.º dia. Às 18h, horas antes do temporal, o nível da represa estava em 1,32 metro e apenas uma das três bombas operava.
Com a continuidade do rodízio, a previsão é de que tenha água na região central e zona sul entre 6h de hoje às 6h de amanhã, deixando as regiões do Bela Vista e Vila Falcão desabastecidos neste período.
Apesar da chuva de intensidade moderada registrada pouco antes das 21h, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru contabilizou apenas 4,8 milímetros de precipitação. Não houve registro de estragos na cidade, afora alguns pequenos alagamentos em pontos tradicionais de enchente.
Ainda que a quantidade de chuva tenha sido pequena, as temperaturas mais amenas de ontem e previstas para hoje devem ajudar a reduzir o consumo de água, o que contribui para que as regiões mais elevadas não fiquem com as torneiras secas nos dias em que há previsão de abastecimento.
Segundo o meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet, uma frente fria situada sobre Santa Catarina e o Paraná está se deslocando em direção ao Oceano. Este movimento deverá intensificar as áreas de instabilidade e provocar chuvas fortes hoje em todas as regiões do Estado de São Paulo, inclusive em Bauru.
“Na quinta-feira, contudo, a frente fria já deverá ter passado e não haverá mais probabilidade de chuva”, explica Figueiredo. Para hoje, as temperaturas podem variar entre 19 e 28 graus e a umidade relativa do ar mínima deve atingir a casa dos 60%.
Mesmo com infestação acima do limite, município tem projeto premiado
O projeto Agente do Bem foi o primeiro colocado na 14.ª Mostra Nacional de Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi). A cerimônia de entrega dos prêmios foi realizada em Brasília.
O programa concorreu com mais de 700 projetos de todo o Brasil na área de prevenção à dengue. O Agente do Bem é uma ação compartilhada entre as Secretarias Municipais de Educação, Saúde e Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).
Existente desde 2008, conta com a participação de funcionários das escolas. Denominados agentes do bem, eles vistoriam semanalmente o ambiente de trabalho, em busca de possíveis criadouros, registrando suas observações em boletim próprio, procedimento este adotado para relato das ações, dificuldades e soluções para os problemas diagnosticados.
Estiveram presentes à cerimônia de entrega do prêmio em Brasília, Fernando Monti, secretário municipal de Saúde, Sirlei Polidoro Campos (Secretaria Municipal de Educação), Roldão Antonio Pucci Neto (Secretaria Municipal de Saúde) e Regina Célia de Oliveira (Sucen).
O troféu foi apresentado ontem em Bauru a cerca de 60 funcionários de escolas municipais de nível Infantil e Fundamental, que, em suas respectivas unidades de trabalho, atuam como agentes disseminadores do principal objetivo, que é prevenir a dengue.
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