Política

Cargos são alvo da base de Rodrigo

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

O racha na base da administração Rodrigo Agostinho (PMDB) na Câmara Municipal, implodida após inúmeros desgastes ao longo do tempo, tem tensionado as articulações políticas. Entre os membros do grupo formado pelos nove parlamentares aliados do prefeito no caso, já chamado de G-9, é forte a pressão para que seja invertida a lógica de atenção e prioridade dedicadas ao Poder Legislativo, o que implica diretamente na redistribuição dos cargos do governo indicados por vereadores.

Os integrantes da “nova base” preferem manter o anonimato para comentar o cenário, mas relatam que parece ter “caído a ficha” de Rodrigo sobre quem está realmente do seu lado.

“Será que as pessoas têm ideia de quantos cargos possuem alguns dos vereadores que mantêm constantemente a faca no pescoço do prefeito? Nos últimos tempos, então, queriam era colocar uma arma na cabeça dele. Se levarmos em conta a Emdurb, alguns chegam a ter mais de 20 indicações no segundo e terceiro escalões. Eu acredito, sim, na retaliação por meio de alguns cortes”, afirma um parlamentar.

Os vereadores do “time” de Rodrigo garantem que não querem simplesmente ocupar espaços no governo, mas dialogar e propor avanços em setores da administração claramente problemáticos.

“Se for para indicarmos, queremos colocar gente capacitada e comprometida. Infelizmente, muitas pessoas ainda cantam de galo e fazem corpo mole no serviço porque têm políticos na retaguarda”, observa um dos governistas.

O JC apurou que estariam “na corda bamba” apadrinhados pelo PT, PDT e PMDB. Respectivos presidentes das duas últimas siglas, os vereadores Fabiano Mariano (PDT) e Renato Purini (PMDB), líder do governo até a semana passada e desbancado pelo prefeito, figuram entre os agentes políticos com maior número de indicados para cargos no governo, segundo levantamento extra-oficial.

Os petistas, por sua vez, já teriam recebido recados sobre a possível demissão do secretário de Agricultura, Chico Maia, também supostamente motivada por retaliação do Palácio das Cerejeiras. (Leia mais abaixo sobre a reforma no primeiro escalão).

G-9 x G-8

É intenso o acirramento entre os vereadores após a votação da CEI do Caso Lacon, há quase duas semanas. No episódio, ajudaram o prefeito Moisés Rossi (PPS), Fábio Manfrinato (PR), Carlão do Gás (PR), Roberval Sakai (PP), Carlinhos do PS (PP), Paulo Eduardo de Souza (PSB) e Markinho da Diversidade (PMDB), que se tornou o novo líder do governo na Câmara.

Completam o G-9 os parlamentares do PV, Raul Gonçalves Paula (PV) e Natalino da Pousada (PV). A sigla, até então, era tida como de oposição ao governo.

Do outro lado, no G-8, estão os (antigos?) “governistas” Fabiano Mariano (PDT), Sandro Bussola (PT), Roque Ferreira (PT), Telma Gobbi (PMDB), Faria Neto (PMDB) e Renato Purini (PMDB), além dos oposicionistas Lima Júnior (PSDB) e Fernando Mantovani (PSDB). As articulações prosseguem.


Prefeito confirma algumas mudanças

Rodrigo Agostinho (PMDB) admite que vereadores de sua base estão cobrando maior participação no governo e mais equilíbrio na divisão dos cargos indicados por parlamentares. Segundo o prefeito, as mudanças, de fato, devem acontecer, mas nega que as medidas serão motivadas por revanchismo.

“Até porque, já reduzimos bem o número de cargos de livre nomeação, especialmente no DAE e na Emdurb. Não descarto algumas exonerações e nomeações, mas elas vão ocorrer com calma. Estamos passando por uma onda de boatos muito forte e eu vou trabalhar para acalmá-la. Isso ocorrerá com muito diálogo e muita conversa”, pontua.

O chefe do Executivo confirma ainda a aproximação entre o governo e o PV, presidido por seu amigo Clodoaldo Gazzetta. “Isso está acontecendo, mas de forma muito ética e transparente. A gente vem costurando e o partido se colocou à disposição para traçarmos estratégias para a cidade. Tem sido algo muito interessante até porque não foram colocadas condicionantes por parte deles”.

Foco

Há quem acredite, no entanto, que o compromisso em garantir mais espaço no governo a vereadores que não possuem ou dispõem de poucos cargos indicados na prefeitura e na administração indireta não tenha passado de uma estratégia pontual de Rodrigo Agostinho para mobilizar membros da base a trabalharem pela inviabilização da CEI.

“Não é do perfil do prefeito cultivar inimizades, mesmo que por meio de retaliações. É grande a pressão de parte de aliados, inclusive, por mudanças no secretariado. No entanto, é maior ainda a pressão de setores obscuros para que fique tudo como está no primeiro escalão. Então, acredito que esse racha e essa disputa pelos cargos menos importantes estejam sendo fomentadas para tirar o foco do Palácio das Cerejeiras e transferi-lo para a Câmara”, acredita um vereador.


Primeiro escalão vai mudar

Rodrigo Agostinho (PMDB) confirma também que promoverá mudanças entre os secretários de governo. Algumas delas, segundo ele, devem ocorrer até o final deste mês. Outras podem ficar para o ano que vem. O prefeito, contudo, não revela quais pastas serão atingidas pela “minirreforma”, reivindicada, inclusive, por parte dos vereadores do G-9, em função do mau desempenho de secretários.

Especulações

Especula-se que haverá mudanças nas secretarias de Planejamento, Administração e Meio Ambiente, chefiadas por Paulo Ferrari, Richard Vendramini e Valcirlei Silva. Os três são nomes de confiança de Rodrigo.

É grande também a possibilidade de que Marcelo Araújo deixe o Gabinete do prefeito.

Já para o ano que vem, as mudanças poderiam afetar o DAE e a Emdurb. No caso da autarquia, há o cuidado para que o novo presidente assuma o posto depois da minimização da crise hídrica, para que não recaia sobre Giasone Candia uma responsabilidade por problemas provocados por anos de negligência. É justamente esse espaço que pode vir a ser ocupado pelo PV.

Por sua vez, Nico Mondelli, da Emdurb, foi alvo de muitas críticas do próprio prefeito em sua última reunião com o secretariado. Ventilou-se que o comando do órgão possa ser transferido ao PPS, mas figuras influentes do Palácio das Cerejeiras negam a informação.

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