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Escolas 'top' têm estratégias diferentes para Enem

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 4 min

 

Foco em simulados, exercícios, tempo maior de aulas e atividades fora da escola têm sido a estratégia das escolas campeãs nos rankings do Enem para levar seus alunos a ter bons resultados. Mas a própria colocação entre os primeiros dá aos alunos algo que pode fazer a diferença: confiança.

 

No Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte, um dos mais bem colocados no Enem 2012 (último dado disponível), todos os alunos do 3º ano fazem simulado aos sábados. "Os alunos daqui não ficam bons em uma matéria só, mas em tudo", diz Gabriela Costa, de 17 anos, que quer uma vaga em Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

 

Cerca de 300 alunos do colégio farão o Enem neste ano. "Ter esse desempenho acaba contagiando o pessoal para estudar", diz Rommel Domingos, diretor de ensino do colégio.

 

No Objetivo Integrado, de São Paulo, 1º colocado, aulas em dois turnos, simulados e exercícios são carros-chefes da preparação. "Neste ano, os alunos procuraram mais pela preparação de redação", diz a coordenadora Vera Antunes.

 

Nas públicas mais bem colocadas não houve preparação específica. "Nossos planos de aula já dialogam com o Enem. A gente complementa com atividades em museus e feiras de ciências", diz o diretor da Escola Técnica de São Paulo (Etesp), Nivaldo Freire. Ligada ao Centro Paula Souza, ela é a primeira colocada no Estado. 

 

A Etesp seleciona alunos por vestibulinho, o que contribui para o bom desempenho. A primeira escola pública do País também faz isso. É o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (Coluni), em Minas. "Trabalhamos dentro de uma formação mais completa. O resultado nas provas é consequência disso, não a causa", diz o diretor Helio Filho.

 

Aumenta número de inscritos com déficit auditivo no Enem

 

O número de estudantes surdos ou com deficiência auditiva parcial que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) triplicou nos últimos quatro anos. Em 2014, foram 8.799 inscritos, ante 2.850 que haviam declarado ter a deficiência em 2010. Do ano passado - quando 4.660 se inscreveram - para cá, o aumento foi de 88,8%. 

 

Para atender à demanda, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, reduziu o número de alunos com surdez por sala. No ano passado, eles participaram da avaliação em um ambiente separado, divididos em grupos de oito estudantes; agora, haverá apenas seis. Os alunos continuarão sendo acompanhados por dois intérpretes, que podem ajudar, e terão uma hora a mais para realizar a prova.

 

Todos os tradutores devem ter certificação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). De acordo com o Inep, eles passam por um processo de capacitação presencial sobre os procedimentos da aplicação do Enem. Neste ano, foram solicitados 4.775 apoiadores - 3.332 para Libras e 1.443 para leitura labial.

 

Curso

 

As adaptações são realizadas para atender à dificuldade que muitos têm na compreensão de algumas expressões e interpretações do enunciado dos exercícios. Pensando no obstáculo, um intérprete em Libras da rede estadual de São Paulo decidiu criar neste ano, um projeto-piloto de cursinho pré-vestibular feito totalmente na linguagem dos surdos. 

 

"É um modelo de prova que eles não compreendem, fora o conteúdo que precisa ser adaptado", explicou Rafael Silva, que oferece a aula gratuitamente desde agosto. O curso é dado aos sábados na Escola Estadual Dom João Marina Ogno, como parte do programa Escola da Família, e tem duração de quatro horas. A equipe tem seis professores, todos sabem Libras. "O diferencial é que não precisa de tradução do português. Já é feito na linguagem deles." 

 

Silva, que tem uma empresa que capacita docentes em Libras, diz que falta preparação do aluno para encarar o vestibular. "Sempre vejo essa dificuldade nos alunos, que chegam ao processo sem entender bem como ele é." A maior dificuldade, segundo ele, é com exercícios da Língua Portuguesa. 

 

Além das disciplinas regulares, como Matemática e Física, o curso tem aula que ensina a análise de gráficos e tabelas. "O surdo, por natureza, é visual.

 

Apresentamos vídeos, infográficos. Só lousa e giz não são muito funcionais neste caso." Hoje, as aulas têm 12 alunos; todos farão o Enem pela primeira vez. A ideia do professor é que haja segunda edição do curso em 2015, que deverá começar em maio. 

 

A estudante Katiele Ferreira, de 18 anos, está no 2º ano do ensino médio e fará o Enem como treineira. Com auxílio do intérprete, ela contou que tem estudado quatro horas por dia. "Principalmente Biologia, Português e Física." Katiele quis fazer o cursinho para se preparar melhor e até participou de simulado na última semana. "A maior dificuldade é com o significado das palavras. Também falta tempo para tirar dúvidas."

 

Para compensar a dificuldade, a jovem tem focado os estudos em Português. "Vejo todas as regras gramaticais e, quando não entendo, paro e vou atrás." O sonho dela é trabalhar com recursos humanos. "O cursinho tem sido essencial. Há muitas coisas que a gente não aprende nem acompanha na escola."

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