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A influência da estiagem na economia paulista

Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos vivendo a pior seca da história no Sudeste brasileiro registrada nos últimos 70 anos. A região da Grande São Paulo é a mais afetada com a redução de um dos maiores reservatórios de água para abastecimento público do Brasil. Estima-se que 38% da população do Estado estejam sofrendo os efeitos da seca, mais da metade dos municípios paulistas estão sofrendo com cortes no abastecimento de água, isso é quase a proporção das estatísticas do Nordeste brasileiro.

Há quem culpe o governo ou "São Pedro" pela falta de água, mas na verdade essa questão está muito além dos fatores políticos, governamentais e místicos. Toda essa problemática da seca, que atinge quase todo o Interior paulista, afetando populações e a economia do Estado mais rico do Brasil, é apenas uma amostra pelo desiquilíbrio do ecossistema mundial causado por ações antrópicas.

O rico interior paulista, das grandes indústrias, curvou-se diante da resistência da natureza em não chover, contabilizando prejuízos e paisagens desoladoras. Especialistas falam em torno de R$ 2 bilhões de prejuízos decorrentes da redução de processos industriais e da baixa movimentação turística, podendo haver reflexos significativos na economia paulista para o próximo ano, onerando produtos e serviços pela baixa produtividade agrícola e por dificuldades na logística fluvial.

Na região de Campinas, muitas unidades industriais tiveram que rever suas metas de produção em decorrência dessa estiagem prolongada. Marília e Jaú, com os maiores PIBs da região Centro paulista, primeiro e quarto respectivamente, estão sofrendo com essa crise climática sem precedentes, com cortes esporádicos no abastecimento de água. A redução de 8 metros no calado do Rio Tietê a jusante da barragem de Bariri, paralisou o tráfego logístico da hidrovia Tietê-Paraná, onerando ainda mais o transporte de combustíveis e alimentos, vindo do Centro Oeste do Brasil, que está sendo feito pelo transporte rodoviário e desempregando centenas de trabalhadores.

A safra de cana-de-açúcar deve sofrer perdas de processamento, o setor sucroenergético acredita contabilizar prejuízos com uma redução de cerca de 40% na extração da sacarose bruta. Em outras culturas, como o citrus, pode haver baixa produtividade na próxima safra. Já a cultura do reflorestamento comercial, por não depender da quantidade de água infiltrada, não deve sofrer redução de produtividade no plantio e na colheita.

Estima-se que, para recuperar todo o potencial hídrico do Tietê e a capacidade total do reservatório da Cantareira em São Paulo, deve levar entre 3 a 4 anos, se as regularidades das chuvas se normalizarem. Precisamos rever conceitos comportamentais e institucionais em relação às questões ambientais e de sustentabilidade, antes que essas situações climáticas sejam irreversíveis.

O autor é especialista em Sustentabilidade Corporativa e colaborador do JC

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