Tribuna do Leitor

Um enterro digno para um inocente


| Tempo de leitura: 2 min

Amanhã fará um mês que vivenciei a perda do meu menininho, de forma cruel e repulsiva. Um mês que amanheço não acreditando que estive no Instituto Médico Legal para a identificação mais doída do meu mundo pedagógico. Entrei calada e muda saí, com o coração em lágrimas e sem forças para os demais procedimentos. Uma coisa eu tinha certeza: meu menininho não iria sem um velório digno e com a bandeira da Apiece sobre o caixão do inocente. Quanta saudade sinto do Edy Carlos... Quanto lamento seu assassinato hediondo...

E naquela noite eu queria e precisava ser segurada por alguém que fizesse o que minha alma pedia, ou seja, dignidade para nosso amado aluno. E quando você, Fábio Luiz, querido parceiro de um dos momentos mais tristes da minha história profissional e pessoal, atendeu ao telefone e iniciou fora de hora as ações necessárias para o cumprimento de minha triste missão, senti que Deus me enviava um anjo e que eu poderia perder um tempinho chorando no meu canto. Foi o que aconteceu: pude chorar escondida enquanto você celeremente fechava os problemas junto à Delegacia de Polícia e ao IML, ainda me confortando nos momentos das informações.

Você foi o meu insubstituível amigo invisível e a voz que me encheu de conforto, embora nada eu entendesse dos atos monstruosos praticados contra um deficiente mental que apenas queria brincar e comer... A referência e a alegria maior desse jovem era a Apiece! Tanto é que fomos os primeiros avisados... Que pena... Faz um mês... Saudade, meu amado Edy Carlos Moura dos Santos. A Apiece está vazia e o seu lugar à mesa também. Ao doutor delegado de Polícia de Bauru Kléber Granja, nosso incentivo e gratidão. Esse crime com o senhor à frente não ficará impune como tantos outros. À Rede Record, nossa gratidão pela visibilidade que deu ao nosso aluno.

Professora Catarina Carvalho

Comentários

Comentários