Eles podem parecer sisudos, mas em sua ampla maioria não o são. São dinâmicos, hábeis e empreendedores em muitas atividades da economia e da vida pública. São os integrantes da colônia árabe que ajudam Bauru e o Brasil a se desenvolver há mais de um século. E para celebrar o que eles mais gostam de cultivar, a família e a boa comida, os integrantes da comunidade árabe vão se encontrar no próximo dia 22 de novembro para o tradicional jantar anual da Associação Monte Líbano, no Buffet Mantovani, na Vila Falcão.
Na confraternização (leia mais abaixo) serão homenageados o diretor do Grupo Cidade de Comunicação, Renato Zaiden, o diretor de redação do Jornal da Cidade, João Jabbour. E se a festa é de celebração, todos estão convidados. “Nós preservamos muito a identidade com a família, a união familiar. Somos muito ligados entre nós e queremos cultivar isso e difundir essa relação de vida com as outras pessoas da cidade e região também em nossas festas de confraternização. O jantar anual da Associação Monte Líbano tem também essa missão”, conta o presidente da associação Massaad Kalim Massaad.
Seu batismo revela como os libaneses enfatizam os laços familiares. “O filho recebe o nome do pai, com sobrenome e tudo. É uma tradição que ficou marcante em muitas famílias. Eu sou o nome de meu pai em dobro e essa maravilhosa relação com o Brasil. Os brasileiros também, para nós, é o reforço de nossas relações. Amamos este País e sua gente”, reforça.
Comerciante no ramo de alimentação, tal qual Massaad, José Melhem, secretário do Monte Líbano, exalta essa miscigenação com cara de Brasil. “A vocação para o comércio caiu tão bem quanto o arroz e o feijão brasileiro incorporado aos hábitos e características daqui. A visão para o comércio unida ao bom humor e espírito solidário do brasileiro. Isso, de nossa parte, trouxemos dos fenícios, veio no sangue por gerações e gerações. Afinal, os fenícios eram os melhores mercadores”, cita Melhem.
Landios Achôa Júnior, empresário do setor de seguros e outro diretor do clube, destaca que, além de bons comerciantes e versáteis na cozinha, os libaneses estão se destacando em outras áreas. “Muitos talentos, ótimos profissionais, estão surgindo na medicina e na engenharia. E esta mistura de raças, a partir deste País fantástico que é o Brasil certamente está influenciando positivamente nesse despertar”, pontua.
Celebração no dia da Independência
O jantar anual será providencialmente no Dia da Independência do Líbano, 22 de novembro. Nada mais oportuno para, com a mesa farta e a exaltação da liberdade, os integrantes da comunidade árabe brindarem com os brasileiros bauruenses. “São, pelo menos, 500 famílias da comunidade árabe em Bauru. Estamos empenhados em fortalecer as relações entre os libaneses na associação, mas igualmente ávidos pela confraternização com os brasileiros”, cita Melhem.
Após a queda do império turco (otomano), ingleses e franceses dividiram o domínio da região. O Líbano ficou com os franceses, influência que, culturalmente, até hoje, se faz presente em trejeitos como os cumprimentos pela fala, por exemplo. Em 22 de novembro de 1942, o Líbano consagrou sua independência.
Mas, ao contrário dessa relação de dominação, a relação com o Brasil é tão forte que, por lá, os libaneses ao Leste de Beirute falam português no Vale de Bekaa. “Em geral, os cristãos que vieram para o Brasil, por aqui, ficaram e fincaram raízes e não querem mais voltar. Mas muitos muçulmanos voltam e no Bekaa é muito comum alguém falar português”, conta Massaad.
Para demarcar essa relação, a associação presta homenagens, como em todos os encontros anuais. “O hábito de homenagear também é uma forma de reconhecimento de gente que atua pela comunidade e pelas boas relações na sociedade. O reconhecimento dá o sentido institucional e também orgânico ao encontro. Pelo mérito e participação nas ações da sociedade neste ano vamos homenagear o João Jabbour e o Renato Zaiden”, elenca.
“Todos estão convidados para confraternizar conosco pela hospitalidade, energia e recepção, características que nos unem, brasileiros e libaneses”, convida Massaad.
A diretoria acaba de consolidar a adequação institucional ao novo Código Civil Brasileiro, passando a ser registrada como Associação Monte Líbano de Bauru. O clube foi fundado em 1938 como Sociedade Beneficente Sírio Libanesa.
Serviço
Os convites para o jantar de confraternização anual da Associação Monte Líbano de Bauru estão à venda para todos os interessados, nas lojas da Pedágio, na Kibelândia e no Empório Árabe. Informações podem ser obtidas pelo telefone da entidade: (14) 99198-3522. A festa tem os patrocínios do Grupo Marca, R3M e Dalcon Publicidade.
Pelo paladar
Já que o espírito de final de ano será celebrado pelos libaneses bauruenses em uma mesa farta, a reportagem pediu para que os diretores indicassem a comida essencial, uma de lá, da origem, e outra de cá, de cada um:
'Da terra natal o charuto e a abobrinha. Da terra do coração, o arroz e feijão.’
Massaad Kalim Massaad
'Do Líbano, o quibe cru certamente. E do Brasil, a força da mistura simbolizada na feijoada.’
José Melhem
'De lá, o quibe cru e o tabule. E da mesa brasileira, o indispensável arroz e feijão.’
Landios Achôa Júnior