Bairros

Três separam o nosso lixo

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Juntas, cooperativas separam mais de 200t de material reciclável/mês

Em Bauru, três cooperativas separam o lixo nosso de cada dia, contribuindo com a preservação dos recursos naturais e garantindo o sustento de dezenas de famílias: a Cooperativa dos Trabalhadores em Materiais Recicláveis (Cootramat), no Jardim Redentor; a  Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru (Coopeco), no Ferradura Mirim, e a Cooperativa de Bauru (Cooperbau), na Vila Dutra.

O diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Paulo André Zuwicker, lembra que o material que chega até os cooperados é recolhido de porta em porta pelos caminhões da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Os ecopontos mantidos pela Semma e muitas empresas privadas também são fontes desses resíduos. 

â??Inicialmente, as cooperativas surgiram para agregar os catadores dispersos na cidade. Foi quando a coleta seletiva despontou. Por um tempo, esse trabalho ficou esquecido e, agora, volta com força total, inclusive com duas novas entidades desse tipo na cidade e maior eficiência na coletaâ?, conclui.

Administradora da Coopeco, Gisele Moretti aponta a necessidade do município tomar conhecimento da existência e da dinâmica do trabalho das cooperativas para efetivar a coleta seletiva. â??Queremos divulgar a relevância do nosso trabalho, desde a questão ambiental, até o sustento de famílias que deixam de catar lixo nas ruas sob o sol, sem segurança, para trabalhar em barracões cobertos e com a segurança do INSSâ?, destaca.

Instalada no Ferradura Mirim desde setembro de 2013, a Coopeco realiza a triagem do material reciclável ainda no improviso, sem esteira. Conta com 20 funcionários: 4 homens e 16 mulheres.


Parceria privada

De olho em aumentar a produção  melhorar o trabalho, as cooperativas buscam parceria com empresas privadas que doam papelão, isopor, vidro... materiais que ninguém quer comprar, mas que, em grande quantidade, fazem a diferença, segundo os cooperados.

â??Percebemos que as coisas melhoraram quando começamos a buscar o descarte nessas empresas. Ã? uma parceria de boa vizinhança. As empresas também precisam olhar para o nosso trabalho. O cooperativismo é uma saída para muitos serviços, tanto do poder público quanto do setor privadoâ?, explica Gisele Moretti.


Arrimo

O administrador da Cootramat, Valmir Moura, também faz questão de grifar a relevância das cooperativas de materiais recicláveis dentro de um município, principalmente no que diz respeito à vida de catador.  â??A maioria aqui é pai ou mãe de família. Com o dinheiro deste trabalho, consegui comprar até a minha casa e quitar muitas dívidas, porque eu posso assumir parcelas na certeza de que terei dinheiro para quitá-lasâ?.

Antes de se unir à cooperativa, Valmir coletava material reciclável nas ruas com carrinho de mão. â??E eu não conseguia comprar nada. Ã? tarde, eu vendia o que catava de manhã e, à noite, já estava precisando de dinheiro. E era a mesma coisa no dia seguinte. Agora o meu trabalho é mensalâ?. Ativa há mais de 20 anos no Jardim Redentor, a Cootramat emprega 23 pessoas: 5 homens e 18 mulheres.

A mais nova das cooperativas é a Cooperbau, na Vila Dutra desde março de 2014. Com 16 pessoas trabalhando, sendo 4 homens e 12 mulheres, é a única que realiza o trabalho de triagem com esteira. Os sacos de lixo são rasgados na boca do equipamento e o pessoal, posicionado em volta dele, vai separando as embalagens.

 

  • Consulta

  • No site www.emdurb.com.br é possível consultar o dia e período em que a coleta seletiva passa nos bairros. Outra opção é a consulta pelos telefones: 3233-9092, 3233-9087 e 3233-9079 ou ainda, pelo e-mail emdurb@emdurb.com.br.

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