Política

Bussola prega harmonia na Câmara

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PT), fez um discurso institucional durante a sessão legislativa de ontem, pregando a restauração da paz e da harmonia entre os parlamentares, rompidas ao longo das últimas semanas em função de rachas na base governista, do acirramento na disputa pelo comando do Poder Legislativo de Bauru, cuja eleição está marcada para o dia 15 de novembro, e até do pleito de 2016.

Na tribuna, o petista deu a entender que o clima já culminou em ataques que extrapolam a natureza política e chegam às ofensas pessoais. “O maior patrimônio de cada um de nós é a família. As esposas, os filhos, as filhas jamais podem ser atingidos”, pontuou.

Questionado após o discurso, Bussola limitou-se a dizer que essas questões não são oficializadas, mas correm paralelamente nos bastidores da Câmara. “Esse problema tem despertado muita preocupação. Vereadores estão nos procurando para relatá-los”.

Do ponto de vista político, Sandro admitiu ser natural a existência de grupos, especialmente no momento de disputa pela presidência do Legislativo. Ele ponderou, contudo, que o debate deve ocorrer “com grandeza” e pautado pelo respeito na convivência entre os vereadores.

Segundo o petista, a eleição do dia 15 deve deixar como legado uma Câmara independente e propositiva. “O momento deve ser de união. A transição é um momento turbulento, mas temos que saber que vamos passar pelos últimos dois anos do governo do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e temos difíceis virão”.

Apesar do discurso “pacifista”, Sandro Bussola afirmou entender que o próximo presidente não deve ser um candidato a prefeito em 2016 para que não seja comprometida sua atuação à frente do Legislativo.

“Muita gente defendia minha candidatura a deputado em 2014, mas pesou muito o fato de eu estar na presidência. Havia muitos outros vereadores candidatos e eu tinha o dever de prezar pela liberdade de atuação e evitar climas. Por isso, desisti dos meus projetos pessoais, que não podem ser sobrepostos ao projeto de cidade que queremos”, afirmou.

Interesses

Avessa aos tradicionais conchavos, Telma Gobbi (PMDB) também tratou do assunto na tribuna e declarou que prefere não acreditar na divisão do parlamento em grupos (G-9 dos aliados do prefeito e G-8 dos que, há 15 dias, votaram pela instauração de uma Comissão Especial de Inquérito).

A vereadora questionou, no entanto, a quem interessa impor a fragmentação dos vereadores, citando Nicolau Maquiavel. “Ele já escreveu que um capitão deveria dividir os seus para enfraquecê-los”.

Em tese, integrante do G-8, por ter apoiado a CEI, Telma afirmou que o Poder Legislativo deve manter sua dependência e não se curvar a barganhas.

Fisiologismo

Na mesma linha, Lima Júnior (PSDB) criticou a voracidade por parte de alguns vereadores – os mais fiéis  ao prefeito Rodrigo Agostinho – em busca de indicações a cargos comissionados do governo, atualmente ocupados por apadrinhados por parlamentares de partidos da base, mas que se posicionaram favoravelmente à instauração da CEI, como revelou o JC em reportagem publicada na semana passada.

“Um vereador está querendo buscar espaço do outro. Governar junto faz parte, mas essas questões têm que ser discutidas dentro de uma agenda programática; e não nessa onda de barganha e de fisiologismo, que são o câncer da política”, bradou o tucano.

Lima citou ainda que a divisão do Legislativo pode implicar em desdobramentos perigosos. “A sucessão de 2016 não pode nos fazer atropelar todo o resto”.

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