Geral

Seca e chuva multiplicam buracos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Éder Azevedo

Buraco na quadra 8 da rua Alexandre Favero, Nova Celina: ‘armadilha’

A cada chuva, o número de buracos nas ruas de Bauru aumenta. Com a seca enfrentada nas ultimas semanas, no entanto, a realidade não foi diferente. Isso porque, para auxiliar na crise provocada pelo desabastecimento, o DAE colocou todo seu efetivo nas ruas com objetivo de reduzir o número de vazamentos nas regiões que o manancial atende. A quantidade de reparos feitos na rede, contudo, foi muito superior a capacidade da autarquia em repor a capa asfáltica.

A situação ganhou ainda mais força com as chuvas dos últimos dias, que, além de abrirem novos buracos pelas ruas, também serviram para aumentar ou deixar ainda mais desniveladas as aberturas feitas pela autarquia.

O fato mobilizou a prefeitura. Ontem, o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, anunciou que realizará, em parceria com o DAE, um novo mutirão, na próxima semana, com objetivo de “arrumar a casa”, como ele mesmo disse. O intento de combate aos buracos contará com reforço de todo o efetivo da Obras, mais alguns funcionários da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), além dos próprios funcionários do DAE (leia mais abaixo).

Cenários

“Andar por Bauru é um desafio. É retalho e buraco do DAE por todo canto. Sempre quando vou parar o caminhão, tomo cuidado para não parar perto dos buracos ou desses retalhos, o peso do caminhão faz afundar”, critica o motorista de uma empresa de Bauru Jozé Lúcio Japoni, olhando para o buraco de terra na quadra 3 da rua Doutor Antônio Xavier de Mendonça, na região do Jardim Dona Sarah.

No outro lado da cidade, na Vila Nova Celina, região da Vila Falcão, um buraco “recorta” a quadra 8 da rua Alexandre Favero, de fora a fora. “Faz umas duas semanas que está assim. Já ligamos, mas o DAE não tem previsão de quando irá repor o asfalto. Tem carro subindo até na calçada pra desviar, ficou muito perigoso”, comenta a comerciante Lenice Dominguez Braz.

Já no Jardim Brasil, nas imediações da avenida Nações Unidas, buracos provocados por chuvas e pelo DAE se encontram na rua irmã Arminda. Na quadra 4, o recorte feito pelo DAE para o reparo da rede atinge quase 10 centímetros de diferença em relação ao nível da rua. E o buraco provocado pela chuva, no cruzamento da via com a rua Antônio dos Reis acumula pedras, galhos, lixo e perigo para os condutores.

A chuva também castigou a quadra 4 da rua João Abo Arrage, na região da USP. Lá, um buraco de aproximadamente 30 centímetros de superfície esconde a gravidade do problema aos motoristas que trafegam pela movimentada via, já que  o buraco tem profundidade superior a 40 centímetros.

Demanda X estrutura

É de responsabilidade do DAE a reposição de asfalto em cada buraco aberto pela autarquia na cidade, tanto em via pública quanto em calçadas, para reparo na rede.

A Prefeitura Municipal, por sua vez, tem como obrigação o conserto  das aberturas causadas pela chuvas e pelo desgaste do tempo.

O número de equipes e de servidores do DAE que atuam no setor de reparos na rede, no entanto, representa mais que o dobro do pessoal que atende a demanda para a reposição do asfalto.

Enquanto o setor de reparos e novas redes do DAE trabalha com oito equipes com até 10 servidores cada e realiza uma média de até 50 consertos por dia, o setor de reposição asfáltica possui três equipes com três servidores e realiza a reposição em aproximadamente 30 pontos diferentes, dependendo da extensão do buraco.

Usina

Outro problema colocado pelo DAE como fator determinante para diferença entre o tempo de reparo e reposição do asfalto é a inoperância da usina de asfalto da prefeitura em tempo integral. “A usina fica inoperante algumas horas do dia e em alguns dias da semana. Quando isso acontece, temos que recorrer à empresa contratada”, afirma o DAE, por meio de sua assessoria de imprensa. Por dia, são disponibilizados cerca de 16 toneladas de asfalto ao DAE.

Sidnei Rodrigues reconhece que a demanda por asfalto é maior do que a produção. “Para disponibilizar mais asfalto teríamos que arcar com horas extras ou montar outras equipes de trabalho. Isso geraria mais gastos pra prefeitura”, explica.

Ele afirma ainda que a usina tem funcionado de segunda a sexta-feira, mas que, por conta de problema com matéria prima, os trabalhos estão parados nos últimos dias. “Estamos fechando contrato para a compra de Cap (cimento asfáltico de petróleo)”, reforça o secretário


Qualidade?

Uma questão que sempre chama a atenção da população quando o assunto é tapa buraco diz respeito à qualidade das reposições asfálticas que são realizadas. Enquanto um projeto novo depende de até quatro camadas de preparo, com terra, brita, cimento e pedras, antes da capa asfáltica, os buracos são tapados geralmente com apenas dois tipos de camadas: brita ou cimento com terra e asfalto grosso.

Informações obtidas pelo JC dão conta de que parte dos reparos de buracos estariam sendo feitos de forma irregular na cidade, o que pode acarretar desde a perda de todo o serviço com a enxurrada, até o afundamento de solo diante do peso de carros e caminhões nas vias.


Mutirão contará com 9 caminhões só da Obras

Para tapar buracos provocados por chuvas ou desgaste do tempo, a Obras conta com quatro equipes de aproximadamente cinco funcionários cada. Cada equipe possui seu caminhão.

Na próxima semana, porém, a estrutura será utilizada para auxiliar o DAE e tapar a grande quantidade de buracoas abertos. A Obras promete disponibilizar todo seu efetivo de rua, cerca de 40 servidores, e outros cinco caminhões para atender a operação tapa buracos.

“Vamos fazer um esforço para disponibilizar asfalto de manhã e à tarde para os caminhões na usina”, projeta Sidnei Rodrigues.


IPMet prevê chuvas intensas para amanhã

O IPMet aponta que, hoje, não deve chover em Bauru. A precipitação deve vir  amanhã, entre os períodos da tarde e noite. Segundo o meteorologista José Carlos Figueiredo, a chuva, apesar de forte, deve atingir apenas alguns pontos da cidade.

Na quinta, o céu continuará nublado e poderá chover a qualquer hora. “Temos previsão de chuvas que devem acumular de 20 a 30 milímetros”.

Na sexta-feira, a frente fria se afasta, mas a temperatura mínima deve cair para 17 graus e a máxima para 27. Já no final de semana, a previsão antecipa que os termômetros voltarão à máxima de 30 graus e mínima de 20.

 

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