Polícia Rodoviária/Divulgação |
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Transporte de drogas: cocaína diluída na roupa |
Um procedimento inusitado para transportar e camuflar drogas foi registrado no município de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) na tarde da última terça-feira (11), à tarde. O caso é inédito na região. Um peruano de 39 anos levava cocaína impregnada em 250 camisetas – método conhecido como engomar roupas. Fragmentos do entorpecente foram distribuídos no tecido.
O flagrante ocorreu por volta das 17h30 e a ocorrência foi encaminhada para a Polícia Federal de Marília. O acusado M.O.P.V. (somente as iniciais foram divulgadas) acabou preso por tráfico internacional de drogas e permanece à disposição da Justiça.
A droga era levada de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, para São Paulo, cidade onde o acusado residia atualmente. No entanto, a ação foi interrompida no quilômetro 310 da rodovia João Baptista de Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, durante operação do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR).
Segundo o Policiamento Rodoviário, um ônibus de linha internacional foi abordado para averiguação de rotina e o peruano demonstrou nervosismo, o que levantou suspeitas. Por conta da situação, as quatro malas dele foram vistoriadas e nelas estavam as camisetas de diversas cores e tamanhos, sem nota fiscal de procedência.
Durante a fiscalização, os policiais constataram que as peças de roupas estavam impregnadas com pó. Porém, só foi possível constatar que se tratava de cocaína após aplicação de reagente químico. As camisetas, que juntas pesaram 80,467 quilos, foram encaminhadas ao laboratório da Polícia Federal de São Paulo para ter a droga separada e, consequentemente, pesada.
A reportagem tentou entrar em contato com a PF de Marília para levantar informações sobre o peso da cocaína e o valor avaliado da droga, porém, não foi possível contato.
Inédito
Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) em Bauru, Ricardo Silva Dias, o procedimento da “cocaína engomada em roupas” já é de conhecimento da polícia, porém, inédito na região de Bauru.
“Não temos casos semelhantes registrados aqui”, disse. Porém, Dias observa que o procedimento não é usual e, portanto, realizado por pessoas que já estão em um grau de tráfico avançado.
“Isso não é feito por qualquer um. Diria que é uma tentativa sofisticada de burlar qualquer tipo de ação policial. Se não houver uma investigação prévia, se não tiver alguém que tenha um certo ‘feeling’ na hora de uma eventual abordagem, para desconfiar e verificar isso com maior cautela, passa batido”, frisou.
Trabalho de inteligência da polícia é importante, diz delegado da PF
Embora o procedimento de impregnar cocaína em peças de roupas seja considerado comum pela Polícia Federal (PF), principalmente em aeroportos, para inibir o crime é preciso ter certo conhecimento da ação.
“O fato é que esse tipo de ação requer trabalho de inteligência e preparo dos policias. A partir do momento em que o policial, já tendo conhecimento da existência da forma de transporte da droga, ao se deparar com diversas peças de roupas engomadas, ele já terá uma desconfiança muito grande de tráfico”, observa o delegado-chefe da PF em Bauru, Carlos Alberto Fazzio Costa. “A maioria dos policiais que trabalha com repressão ao entorpecente conhece esse modus operanti”, completa
TUBOS
No entanto, segundo Fazzio, existem inúmeras formas ainda mais inusitadas de transportar entorpecentes (veja quadro abaixo). “A Polícia Federal já apreendeu drogas em embalagem de vinho, em tubos de pasta de dente, em cabo de raquetes de tênis, dentro de transformador de energia. Até mesmo em quadro pintado com tinta à base de cocaína”, exemplifica.
“Em Bauru, teve um caso simbólico, quando esconderam a droga dentro de um cilindro de ferro imenso, que deveria pesar umas duas toneladas. Já apreendemos na cidade drogas embaladas em meio a carvão de churrasco. A ideia deles é não serem pegos e, para isso, vale tudo”, concluiu Alberto Fazzio.
Goma ou cocaína?
O ato de engomar tecidos é antigo e tinha como objetivo evitar que as roupas ficassem amarrotadas. Um produto (espécie de goma) era utilizado para auxiliar no processo, quando a roupa era “ajeitada” com o uso de um ferro de passar. “Agora os traficantes fazem isso usando a cocaína, ou seja, a droga fica impregnada na roupa inteira. Depois, quando ela chega ao destino, é lavada e, por meio de processo químico, a cocaína é separada do tecido para ser comercializada”, explica Ricardo Dias.
De acordo com o delegado, após o flagrante dos policiais, ao menos dois tipos de testes são realizados para comprovar a suspeita. “Primeiro é feito, no Instituto de Criminalística, o teste colorimétrico, ou seja, usa-se um reagente para a constatação provisória da droga. No caso da cocaína, geralmente, é azul”, explica. O segundo é um exame laboratorial.
Última moda
Em Maracaí (207 quilômetros de Bauru), região de Assis, na última segunda-feira (10), um boliviano foi preso em situação semelhante.
Também em operação do TOR, um outro veículo que realizava o mesmo itinerário foi parado para fiscalização no quilômetro 481 da rodovia Raposo Tavares (SP-270), a Assis – Maracaí.
Durante a abordagem, policiais encontraram quatro malas pertencentes a um boliviano. Nelas eram transportados mais de 108 quilos de camiseta impregnada com cocaína.
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