Política

Bueiros são limpos a cada 2,5 anos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A Prefeitura de Bauru discute a elaboração de um Plano Municipal de Drenagem, com o objetivo de traçar políticas de curto, médico e longo prazo para resolver, entre outros pontos, os problemas de inundações que a cidade costuma enfrentar durante os períodos de chuva. Grandes obras serão necessários. Contudo, o poder público ainda não dá conta nem das pequenas ações, como a limpeza das bocas de lobo.

Atualmente, cada um dos 7 mil bueiros espalhados pela zona urbana do município é limpo uma vez a cada dois anos e meio. A informação veio a público em recente audiência pública que discutiu o assunto e é confirmada por Sidnei Rodrigues, titular da Secretaria de Obras – a pasta responsável pela execução desse serviço.

Ele explica que a estrutura disponível dá conta de limpar apenas 3 mil bocas de lobo por ano. São apenas cinco pessoas. “Se eles cuidam de 3 mil em um ano, vão cuidar de outras 3 mil no próximo e ainda sobram mil sem manutenção”.

O problema, segundo Sidnei Rodrigues, não é de difícil solução, mas a contratação de novos servidores para executar esses serviços tem esbarrado no limite de gastos com pessoal da prefeitura. Para não fugir da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a administração raramente tem liberado a admissão de funcionários para outras secretarias que não as de Saúde e Educação.

O secretário de Obras admite que

cada bueiro deveria ser limpo, pelo menos, duas vezes ao ano. Para isso, seria necessário contratar mais 15 pessoas para a equipe e comprar mais três caminhões para dar suporte ao serviço.

“Essas equipes retiram as tampas das bocas de lobo e removem todo o tipo de material que é jogado lá. Se a gente tivesse pelo menos mais cinco pessoas e um caminhão, seria possível limpar cada bueiro uma vez por ano, em média”, pontua.

Sidnei explica, no entanto, que o Plano de Drenagem apontará possíveis alternativas para a minimização do problema. “Vamos decidir se o caminho está mesmo na contratação de mais mão-de-obra ou no investimento de novas tecnologias”.

Sujeira

Quando há chuva, os bueiros entupidos são sinal de enchente, pois a sujeira impede o escoamento da água. O secretário de Obras, apesar de reconhecer a grande deficiência da administração, afirma que o poder público não conta com a colaboração da população.

Segundo ele, é comum que as bocas de lobo sejam utilizadas como depósito de lixo, de resíduos de podas e de folhas de árvores e até de materiais de construção civil depositados em calçadas.

“Os técnicos do plano fizeram um estudo por amostragem e constataram esse problema, principalmente, na região Central da cidade. Ele é frequente também no Mary Dota, Parque Vista Alegre e Vila Martha”, observa Sidnei.

Agravante à situação, o JC mostrou, em reportagem publicada no ano passado, que, segundo dados da Divisão de Drenagem da Secretaria Municipal de Obras, a cada dia, ao menos uma tampa de bueiro “desaparece” na cidade, alvo de furto ou vandalismo. Por mês, são cerca de 40 registros, totalizando 480 coberturas perdidas a cada ano.


Plano de Drenagem

O secretário Sidnei Rodrigues afirma que algumas audiências públicas ainda serão realizadas para que Plano Municipal de Drenagem seja concluído no primeiro semestre de 2015. Além do município, estão engajados no projeto o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag).

“Já conseguimos apontar os principais problemas causados pela falta de cuidado no manejo de águas pluviais, tanto na área rural, pegando as bacias do rio Batalha e da Água Parada, como na área urbana de Bauru, onde são necessárias, além de outras intervenções, pelo menos a construção de mais cinco barragens, além das obras de drenagem na região da Nações Unidas, que é uma prioridade do governo”, pontua Sidnei.

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