Articulistas

Educação no Brasil e os discursos eleitorais

Gerson Vasconcelos Luz
| Tempo de leitura: 3 min

O Jornal da Cidade do dia 06/09/2014 (p.22), na seção Brasil, anuncia: "Ensino médio piora em 16 Estados e fica abaixo da meta do governo". Conforme a notícia (que não é nada boa): "A qualidade do ensino médio público caiu em 16 Estados, incluindo São Paulo, e o desempenho nacional ficou abaixo da meta estipulada pelo governo federal, segundo a principal avaliação educacional do País, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação)". Não é segredo nem novidade para ninguém: a educação não vai bem. Diante disso, desabrocham duas questões inevitáveis: o que o governo está fazendo para melhorar a situação; o que os candidatos a ocupar os cargos eletivos propuseram?

Como se sabe (ou deveríamos saber), o novo PNE (Plano Nacional da Educação), sancionado no último mês de junho ? durante a Copa, propõe várias metas para melhorar o ensino. Dentre elas, cabe destacar duas: a 6o e a 7o, cujos conteúdos são (respectivamente): o Estado deve (até 2024) "oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender 25% (vinte e cinco por cento) dos (as) alunos (as) da educação básica"; o Estado deve "Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem", de modo a atingir as médias nacionais estabelecidas para o Ideb até 2021. Diante das carências, defasagens e metas a cumprir, a escola de tempo integral aparece como mecanismo favorecedor do avanço rumo à boa educação. O "discurso da melhora" esteve presente na fala de todos os concorrentes nas eleições deste ano. Aliás, a julgar pelos números e propostas dos principais candidatos em todos os níveis e esferas, o ensino nunca antes nesse país teve tanta expectativa de crescimento e melhora como agora (durante as campanhas). Observa-se que numa coisa todos os candidatos estiveram de acordo: a educação precisa melhorar. O problema é o que fazer e como fazer as coisas acontecerem. O Brasil aparece na invejável 7a posição no ranking das 50 maiores economias do mundo. No entanto, ainda não aprendeu tratar a educação como ela é tratada em países ricos.

Voltando à questão das promessas: os três principais candidatos à Presidência da República ? Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) ? defenderam a "escola de tempo integral", um conceito cada vez mais usual como símbolo de educação de qualidade. Na esfera estadual não foi diferente. Paulo Skaf (PMDB), Geraldo Alkmin (PSDB) e Alexandre Padilha (PT), os três principais candidatos do governo do Estado de São Paulo, não destoaram muito em relação ao tema. É natural (e necessário) que o problema apareça nos programas de governos, debates, promessas de campanha e exposição de proposta dos candidatos. Isso mostra que, além de se estar fazendo uso de um discurso comum de campanhas eleitoral, leram o novo PNE 2014-2024 e que concordam que a educação não está bem. O problema é que ? como de praxe ? muitas e boas ideias acabam não saindo do papel.

O autor é professor de Filosofia

Comentários

Comentários