Internacional

MSF iniciará testes para novos tratamentos contra o ebola

Estadão Conteúdo e Folhapress
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Tommy Trenchard/ IRIN

Profissionais de saúde da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em atendimento para tratar as vítimas do ebola em Kailahun, Serra Leoa.

Ensaios clínicos acelerados serão iniciados na África ocidental para apressar a pesquisa para o tratamento do vírus do ebola, informou o grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF) nesta quinta-feira. 

 

O grupo humanitário internacional disse que vai fornecer os recursos para os ensaios clínicos a partir do mês que vem em três centros de tratamento de ebola onde são usadas drogas experimentais que não passaram pelo longo processo de estudos com animais e pessoas saudáveis. 

 

Ensaios separados serão liderados por três diferentes parceiros de pesquisas e envolverão a Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades da Saúde em países afetados. 

 

"Se vamos encontrar um tratamento, temos de fazer isso agora, razão pela qual temos de acelerar estes ensaios", disse Peter Horby, investigador chefe dos ensaios liderados pela Universidade de Oxford. A universidade vai testar a droga antiviral brincidofovir na Libéria. 

 

O Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França vai realizar um ensaio usando a droga antiviral favipiravir em Gueckedou, na Guiné, e o Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia vai realizar testes sobre terapia com sangue e plasma de convalescentes na Guiné. 

 

Os resultados de alguns desses ensaios são esperados até fevereiro ou março. 

 

O maior surto já registrado de ebola já dura oito meses, matou mais de 5 mil pessoas e infectou mais de 14 mil no oeste africano. 

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) nomeou David Nabarro como representante da entidade para a doença e vários governos montaram clínicas de tratamento. Mas as equipes médicas estão no limite e a OMS afirma que não há trabalhadores estrangeiros da área da saúde em número suficiente. 

 

Não há medicamentos comprovadamente eficientes para o tratamento do ebola. Testes de uma série de drogas em seres humanos tiveram início em vários continentes. O atual surto mata entre 50% e 80% dos infectados na África ocidental, segundo o Médicos Sem Fronteiras. 

 

Enquanto em algumas áreas da Libéria, o país mais atingido pelo surto, o número de novas infecções tem caído, novos pontos de infecção estão surgindo. 

 

Mais recursos

 

Trabalhadores do setor de saúde da África, que estão na frente de batalha contra a epidemia de ebola, pediram nesta quinta-feira (13) aos líderes do G20 mais recursos para lutar contra a doença e denunciaram as precárias condições de trabalho.

 

A enfermeira liberiana Laurene Wisseh afirmou que os trabalhadores do setor de saúde se viram obrigados a usar bolsas de plástico para proteger-se do contágio, diante da falta de luvas e roupas adequadas.

 

Um motorista de ambulância, Gorden Kamara, disse que a Libéria tem apenas 15 veículos do tipo para 1,5 milhão de pessoas e um médico para cada 14.000 habitantes, enquanto no Reino Unido são 40 médico para cada 14.000.

 

"Não temos nada", disse por Skype em uma conferência em Brisbane, leste da Austrália, que receberá a reunião do G20 --grupo com as 20 maiores economias do mundo.

 

"A falta de equipamento de proteção e de instalações de saúde propiciaram uma elevada taxa de contágios e mortes entre os trabalhadores de saúde, o que resultou no abandono hospitais e clínicas", explicou.

 

Vários líderes dos países do G20 e de organizações internacionais começam a chegar nesta quinta-feira (13) à cidade de Brisbane, na Austrália, para a cúpula internacional que acontecerá no fim de semana.

 

A epidemia de ebola na África ocidental será um dos principais temas da reunião do G20.

 

Os membros do G20 são a União Europeia, o G7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia, África do Sul e Turquia.

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