O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ordenou que a Polícia Federal abra uma sindicância para investigar delegados que criticaram o PT em uma rede social e compartilharam reportagens relativas à Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção a Petrobras.
Reportagem de “O Estado de S. Paulo” de ontem revelou que delegados federais envolvidos na Lava Jato usaram a rede social durante a campanha eleitoral deste ano para elogiar o candidato Aécio Neves (PSDB) e criticar a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
A reportagem cita os delegados Igor Romário de Paula, Marcio Anselmo, Maurício Grillo e Erika Mialik Marena, que trabalham na PF no Paraná. As manifestações foram feitas em perfis fechados do Facebook. Num deles, o ex-presidente Lula foi chamado de “anta”.
Cardozo disse ter pedido ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, a abertura de uma sindicância para apurar o que ocorreu. A assessoria da PF não se manifestou até o fechamento desta edição.
Segundo Cardozo, apesar de a liberdade de expressão ser uma garantia constitucional, funcionário público tem que agir com imparcialidade e impessoalidade, não sendo admissível que investigações sejam “partidarizadas”.
Carta de demissão
Cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem que já entregou uma carta para presidente Dilma colocando o cargo à disposição.
Anteontem, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que 15 colegas já haviam feito mesmo.