O Palácio do Planalto montou uma ofensiva para acelerar a aprovação da brecha encontrada pelo governo para fechar as contas do ano, mas ainda enfrenta dificuldade para garantir o apoio da sua própria base no Congresso.
O embate ocorre na discussão do projeto que permite o descumprimento da meta de economia para o pagamento de juros da dívida (o chamado superavit primário).
Ontem, a equipe da presidente Dilma articulou com o relator do projeto, senador Romero Jucá (PMDB-RR), um calendário especial para a análise da proposta.
O novo cronograma reduz em 25 dias o prazo de tramitação. Jucá vai apresentar seu relatório sobre o projeto na Comissão Mista de Orçamento na terça-feira, para votar no dia seguinte. Com isso, o texto poderia ser aprovado no plenário do Congresso na outra semana.
O calendário foi elaborado com o aval do Planalto e vigora sem a necessidade de aprovação do plenário da comissão, numa espécie de “canetada” que garante acelerar a análise da proposta. Se seguisse a tramitação normal, havia o risco de o projeto ser votado apenas na segunda quinzena de dezembro.
Para pressionar aliados, o governo ameaça congelar a liberação da verba destinada por congressistas no Orçamento para obras em seus redutos eleitorais, as chamadas emendas parlamentares.
O texto precisa ser aprovado até 22 de dezembro, quando começa o recesso.