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Perda de memória ou desatenção?


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Você é dessas pessoas que procuram algo, chegam ao local e de repente já não se lembra o que foi procurar? Lê um texto e, na metade já não se recorda do início? Esquece o gás aberto e só se dá conta quando o cheiro é percebido? Se perde e não encontra o que precisa em locais que conhece como a palma da sua mão?

 

Pois seja bem-vindo ao mundo dos “esquecidos” ou simplesmente “desatentos”. Especialmente se você for daqueles que, do nada, num lampejo de memória, tudo retorna ao normal. E o que havia esquecido brota da mente como num passe de mágica. Isso é normal.

 

Mas também há riscos, claro e é preciso tomar cuidado porque o que pode parecer uma simples perda de memória pode ser o início de uma doença tão temida nos dias de hoje, o “mal de Alzheimer”.

 

Queixas aumentam

 

O neurologista Pedro Hortense é um dos que recebe queixas diárias na sua clínica sobre a perda de memória. E atesta que as queixas têm mesmo aumentado: “Desde adolescentes até entre os idosos”.

 

Ele lembra que as principais causas de queixas na juventude são “necessidade do excesso gradativo de informações, aprendizado que leva à fadiga e ao estresse mental”. O médico ressalta ainda que os transtornos do sono “comum nos adolescentes que trocaram o dia pela noite, quando passa horas nas redes sociais, acaba prejudicando as funções cerebrais diurnas”. 

 

Entre outras causas apontadas estão no erro alimentar, especialmente jejum prolongado e uso frequente de bebidas alcóolicas e de drogas.

 

Não é expandível

 

Ao contrário do que podemos pensar, ainda não há provas de que temos uma capacidade enorme do ponto de vista de memória e que ela seja expandível infinitamente. Ainda não há estudos nem unidade de medida que comprove que ela sempre aumente, ou que vá fatalmente diminuir. “Sabemos que a memória fica cada vez melhor com a interação e associação de informações pelos diferentes grupos de neurônios, isto é as novas informações que chegam ao cérebro, se cruzam com outras já existentes com ajuda do hipocampo. Os neurônios responsáveis pela percepção visual cruzam informações com aqueles do olfato, do paladar, etc. Então podemos treinar nossa memória através dos sentidos”, lembra o neurologista Pedro Hortense.

 

Retenção  

 

O médico se apoia também num estudo feito na Universidade Estadual de Campinas, sobre amnésia e suas inferências sobre a memória, para explicar como acontece a aquisição dos eventos que ligam os sistemas neurais à memória.

 

Por exemplo entende-se qualquer coisa memorizável: um objeto, um som, um acontecimento, uma emoção, um pensamento e até mesmo uma sequência de movimentos.

 

Como os eventos são múltiplos e complexos, os sistemas de memória, segundo o estudo “só permitem a aquisição de alguns aspectos mais relevantes para a cognição (conhecimento) ou mais marcantes para a emoção”. 

 

Esse é o processo de retenção da memória, durante o qual os aspectos selecionados de cada evento ficam de algum modo disponíveis para serem lembrados. Mas com o passar do tempo, alguns desses aspectos (ou mesmo todos) podem desaparecer: é o tal esquecimento.

 

Exemplo: cinema

 

O estudo de Fábio Scramim Rigo e Marcelo de Almeida Oliveira ao qual refere-se o médico Pedro Hortense, cita como exemplo um filme. Quando uma pessoa vai ao cinema, logo ao sair é capaz de lembrar cenas e diálogos. No entanto, no dia seguinte só se lembra de alguns detalhes…e após um ano talvez nem se lembre do tema do filme. Isso significa dizer que a retenção nem sempre é permanente, aliás, na maioria das vezes é temporária. O estudo diz também que o tempo de retenção é “portanto limitado pelo esquecimento e ambos são definidos, entre outros aspectos, pelo tipo de utilização que faremos de cada evento memorizado”.

 

Estudos 

 

O trabalho mostra ainda que os psicólogos têm estudado a capacidade de retenção das pessoas e sabem que ela pode variar de indivíduo para indivíduo, bem como em diferentes situações e momento de cada um. “De qualquer forma, está estabelecido que para algumas formas de memória a capacidade de retenção é finita e parece não ultrapassar um pequeno número de itens de cada vez”.

 

O que se sabe é que com o tempo, especialmente após os 60 anos, as demências,  as patologias avançadas, principalmente as degenerativas comprometem a memória. 

 

Como melhorar a memória?

 

Mantenha-se ativo. Especialmente na terceira idade. 

 

Não abra mão de momentos de lazer. Esta é das formais mais eficazes de cuidar da saudade mental

Exercite-se: estudos comprovam que atividade física contribui para melhorar do aprendizado e da memória

Obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol alto prejudicam as funções cerebrais

 

Você pode ter Comprometimento Cognitivo Leve e nem sabe disso

 

Só 10% dos casos de perda de memória vão evoluir para demência ou Alzheimer

 

Você sabe o que é CCL? É a sigla médica usada para Comprometimento Cognitivo Leve, um indício de problemas relacionados à memória. Sabedor que as queixas nos dias de hoje são tanto de pacientes da terceira idade, como de jovens, o psiquiatra Fabio Armentano debruça-se em estudos sobre o Grupo de Psicogeriatria do AME – Ambulatório Médico de Especialidades da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

 

“Quando o paciente se queixa, nós fazemos uma investigação completa, que inclui avaliação médica e testes, além da realização de exames laboratoriais e de neuroimagem, como tomografia ou ressonância magnética. O CCL tem um série de causas possíveis, desde a depressão, a ansiedade, o efeito de medicações para o sono, até problemas clínicos como o hipotireoidismo, a deficiência de vitaminas e a diabetes aumentada”, afirma Armentano.

 

Sem prejuízos

 

Pacientes de CCL apresentam alterações na memória, falta de atenção ou perda de capacidade de orientação. A diferença é que essas alterações não causam prejuízos para o decorrer do dia a dia da pessoa. E por isso, muitos negligenciam e não dão importância ao fato. Mas quando os esquecimentos são frequentes e prejudicam o dia a dia deve-se sim, procurar um médico independente da idade.

 

Sem medicamento

 

Já ocorreu com a maioria das pessoas o que foi fazer ao entrar na cozinha, por exemplo, mas normalmente recordamos depois de passado algum tempo. Quando essas falhas acontecem sempre ou de forma a atrapalhar, está na hora de procurar atendimento”, explica o psiquiatra.

 

Por outro lado, as pessoas não devem se alarmar com isso. Segundo o médico, apenas uma parcela de portadores de CCL – só cerca de 10% piorará e evoluirá para um quadro de demência, como a doença de Alzheimer. A maioria ficará estabilizada e outros podem até melhorar.

 

O tratamento no entanto não é medicamentoso. Até porque não existe medicamento específico para o CCL. O que existem são medidas práticas com acompanhamento multidisciplinar, envolvendo psicologia, terapia ocupacional, psiquiatria e até educação física.

 

Treine o foco e diferencie distração de amnésia

 

Exercite sua memória o que vai bem além de preencher palavras-cruzadas. Ouça música, escreva. Ao ler um livro, jornal, assistir televisão faça comentários, compartilhe informações, escreva anotações sobre o que leu ou assistiu. Conte o enredo de filmes para os outros, ou para si mesmo. 

 

Treine sua capacidade de foco concentrando-se no que realiza. Muitas vezes o que se pensa que é falta de memória é dificuldade de se manter concentrado. Isso ocorre cada vez mais nos tempos atuais, em que temos que dar conta de diversas atividades ao mesmo tempo. Lembre-se: não é possível memorizar aquilo em que não se pode prestar atenção. Pessoas na faixa de 30 ou 40 anos, tem que aumentar sua concentração, realizar uma tarefa de cada vez. 

 

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