Geral

A cada 2 dias, um tem tuberculose

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

A tuberculose é uma doença contagiosa transmitida pelo bacilo de Koch, que normalmente atinge os pulmões. Só neste ano, Bauru já registrou 126 casos em acompanhamento e três óbitos. No ano passado inteiro, foram 194 casos e 13 mortes. Houve, portanto, uma redução tanto do número de casos quanto de óbitos. Todavia, a conscientização ainda é necessária, principalmente hoje, porque é comemorado o Dia Nacional de Combate à Tuberculose.

 

De acordo com Cristiane Rosevelte e Silva, médica sanitarista e diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, a redução foi apenas em números. “Como o tratamento é longo, muitos pacientes registrados em 2013 permaneceram nas estatísticas neste ano e cada caso tem uma particularidade. Temos de levar em consideração a adesão ao tratamento e o estágio da doença”, justifica a diretora. 

 

Cristiane acrescenta ainda que o primeiro sintoma da tuberculose é a tosse prolongada e o recomendado é que o diagnóstico seja feito o mais rápido possível (veja mais detalhes na ilustração). “Se a pessoa estiver tossindo a mais de duas semanas, deve procurar uma unidade de saúde para fazer uma baciloscopia, um exame gratuito que analisa a presença dos bacilos da tuberculose no escarro”, explica.

 

O exame demora de 15 a 30 dias para ficar pronto, mas os pacientes graves têm prioridade e o resultado sai mais rápido. O que incomoda mesmo é o tempo do tratamento, que varia entre seis meses e um ano. Uma combinação diária de antibióticos garante a cura da doença. “Contudo, muitos melhoram antes do término do tratamento e o deixam de lado, fazendo com que a bactéria adquira resistência”, alerta a médica.

 

Como o tratamento é longo e a tuberculose é contagiosa, ela ainda é estigmatizada. Porém, o que a maioria desconhece é que a doença não pode mais ser transmitida aos demais depois de, em média, 15 dias do início da terapia. “É importante ressaltar que a tuberculose tem vacina, tem cura e os pacientes não precisam ficar excluídos de qualquer contato humano durante todo o período de tratamento”, orienta.

 

Campanha

 

Para conscientizar a população sobre a doença, o governo do Estado promove duas campanhas por ano. Entre os dias 3 e 14 de novembro, a Secretaria Municipal de Saúde colocou em prática a iniciativa estadual denominada Campanha de Intensificação da Busca Ativa de Casos de Tuberculose. Nos últimos 15 dias, os servidores do órgão distribuíram cartazes, fôlderes e até fizeram exames nos presidiários da cidade.

 

Questionada sobre a falta de testes em todo o País para o diagnóstico de tuberculose latente, aquela em estágio inicial, em que os pacientes não têm sintomas, a diretora da Divisão Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Cristiane Rosevelte e Silva, explica que esse é um exame complementar aos principais métodos de diagnóstico, como a baciloscopia.

 

Jogador teve a doença diagnosticada na Europa

 

Última revelação das categorias de base do Noroeste a se destacar no futebol nacional, o volante França, hoje no Figueirense, recebeu o diagnóstico de tuberculose em fevereiro de 2013, logo depois de ter assinado com o Hannover, da Alemanha, onde tem contrato até 2016 (ele está emprestado à equipe catarinense). “Na semana de estreia no futebol alemão, comecei a ter febre e a tossir sem parar”, descreve o jogador.

 

França revela que ficou internado por um mês na Alemanha e chegou a tomar nove remédios por dia. “Foi muito difícil, porque eu estava longe de toda a minha família”, confessa. Passado esse tempo, o jogador foi liberado para continuar o tratamento de seis meses no Brasil. “Quando os alemães descobriram a minha tuberculose, me levaram até para ser estudado em algumas universidades, porque a doença não é comum por lá”, acrescenta.

 

França teve contato com o futebol bem cedo. Ele fez parte da escolinha do professor Paulinho Iacanga e depois foi para o Noroeste, onde começou como atacante e por lá ficou do sub-15 até a profissionalização. Já vestiu a camisa do Coritiba, Criciúma, Hannover, Palmeiras e agora é volante do Figueirense. “Quando fiquei doente, tive de ficar parado por seis meses, tempo que durou o tratamento. Hoje já estou 100%”, brinca.

Comentários

Comentários