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O exemplo vem de Ubirajara

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 2 min

A sabedoria popular sobrepõe, muitas vezes, a busca de uma cultura sem raízes vinda do Exterior. Nem tudo está perdido na educação, como acreditam "falsos" intelectuais da academia. Somos uma nação miscigenada: herdamos costumes indígenas, o saber intuitivo do caboclo, a rica cultura africana e um projeto de país continental dos colonizadores portugueses.

Do pequeno município de Ubirajara sai um dos mais belos exemplos de busca de qualidade de ensino na educação. Não foi gestado nas pranchetas de cursinhos multimilionários de educação fast food, nem vem de apostilas pré-moldadas que enriquecem grandes grupos econômicos e nem de algo vindo de cúpula da burocracia da gestão de Educação.

A simplicidade muitas vezes pode ser o caminho de qualidade no ensino básico e médio, mesmo sendo pública.

É da Escola Estadual Francisco de Paula Abreu Sodré de Ubirajara que saiu um projeto inovador com participação de 169 alunos do 9º ano do ensino fundamental, 1º, 2º e 3º do ensino médio. A professora Carla Andréia Thadei Nunes dos Santos incentivou seus alunos a pesquisarem nas histórias dos avós, pais e parentes e contá-los numa publicação patrocinada pela comunidade.

Afinal, a vida não se movimenta somente nos gabinetes, mas no namoro de esquina, nos bares, nos prostíbulos, na conversa de esquina e nas lendas herdadas de nosso inconsciente coletivo.

O livro "Histórias que nos contaram" é uma viagem ao que há de melhor da cultura oral rural e urbana. Os "pequenos escritores" nos brindam com contos sobre "A alma que vaga pela descida do rio Vermelho", "A noite no cemitério", "A loira do filtro" e uma variedade de "lendas urbanas" e de "causos" da rica cultura brasileira. Essas que não frequentam os saraus, os gabinetes de políticos e os casarões da elite.

As histórias são saborosas, mas o legado dessa iniciativa, de transformar esses estudantes em pequenos escritores, é um exemplo para a Secretaria Estadual da Educação de incentivo ao estudo da língua portuguesa. Afinal, pode ser a luz no fim do túnel para o ensino de melhor qualidade e não essa persistência dos burocratas governamentais não enxergarem a verdadeira alma brasileira no cidadão comum. A solução pode estar ali na pequena cidade, e não em Nova York.

O autor é editor regional do Jornal da Cidade

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