A economia brasileira parou de encolher, mas está estagnada no acumulado do ano, mostra o Banco Central. Segundo os cálculos divulgados ontem, a atividade econômica teve expansão de 0,6% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores.
Foi a melhor taxa desde o segundo trimestre de 2013, mas não chegou a compensar a queda de 0,8% medida entre março e junho deste ano. De janeiro a setembro, a variação foi de 0,01% ante o mesmo período de 2013.
Chamado de IBC-Br, o índice de atividade do BC baseia-se em dados da indústria, dos serviços e do comércio. A medida mais completa da evolução da produção e da renda do País é o PIB, cujo desempenho trimestral será divulgado no fim do mês pelo IBGE.
Segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o cálculo veio acima do esperado. O indicador sugere que o País saiu da recessão, mas ainda assim não é motivo para comemoração, afirma.
“Devemos ter crescimento próximo a zero neste ano, com alguma queda na atividade no quarto trimestre”, diz. Fechamento de postos de trabalho em outubro e deficit comercial são alguns indicadores de que o quarto trimestre será de estagnação ou queda na atividade, pontua.
Baixa confiança
Níveis baixo de confiança do consumidor e do empresário são outros indícios de um fim de ano difícil, diz Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria. Do lado da produção, o estoque elevado na indústria, sobretudo automobilística, sugere que o PIB do terceiro trimestre virá abaixo do IBC-Br. Ele aposta numa expansão de 0,3%.
Na pesquisa semanal feita pelo BC com analistas de bancos e consultorias, a projeção central para o crescimento do PIB neste ano ficou estável, em 0,21%. Para 2015, a estimativa ficou em 0,8%.