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Após denúncias, Medicina da USP suspende as festas na faculdade

Folhapress
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Após denúncias de estupro que geraram uma nova crise dentro da Universidade de São Paulo (USP), a diretoria da Faculdade de Medicina decidiu suspender temporariamente as festas dentro da instituição. A medida, divulgada por meio de portaria assinada anteontem pelo diretor José Otávio Costa Auler Junior.

Uma festa organizada pelos centros acadêmicos de medicina, enfermagem e nutrição da USP acabou cancelada. A festa, chamada de Quarta Insana, estava prevista para ocorrer na sede da faculdade hoje.

A suspensão ocorre uma semana depois de alunas de medicina relatarem, em audiência pública na Assembleia Legislativa, terem sido vítimas de estupro em festas promovidas pela Atlética da unidade. Em depoimento, as jovens disseram que sofreram pressão para que não denunciassem os casos e que ficaram estigmatizadas na faculdade. Também afirmaram que os agressores estão impunes.

A promotora Paula Figueiredo Silva instaurou um inquérito civil para apurar os casos. Além das denúncias de violência sexual, o Ministério Público também investiga suspeitas de racismo, homofobia e agressões em trotes.

Segundo a promotora, os calouros são coagidos a beber nas festas. “Infelizmente, não são fatos isolados”, disse.

Os abusos geraram reações na USP. Funcionários iniciaram campanha com cartazes de repúdio. Profissionais do Departamento de Medicina Preventiva divulgaram nota de indignação.

Na quinta-feira, o professor Paulo Saldiva, presidente de uma comissão que apura os casos, anunciou seu afastamento da instituição por estar “cansado de engolir sapo”.

Outra medida adotada pela Faculdade de Medicina é a criação de um centro de defesa de direitos humanos, que deve começar a atuar em até 40 dias.

Segundo a faculdade, o novo centro dará assistência jurídica, psicológica e de saúde para as vítimas, além de funcionar como uma ouvidoria. A ideia é apurar denúncias e punir eventuais casos de abuso e violência sexual ocorridos dentro da instituição.

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