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Gestão equivocada de pessoas

Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos maiores equívocos de muitas companhias empresariais na gestão de pessoas é formar mão de obra especializada e tecnologias para concorrentes. Parece algo desconexo de acontecer, mas isso é frequente nos meios empresariais. Esse comportamento corporativo completamente equivocado é responsável por perdas tecnológicas e de pessoal qualificado em pleno período produtivo.

Empresas levam, em média, de 5 a 10 anos para formar um profissional com alta performance produtiva, através da transferência de todo sistema tecnológico e dos métodos de produção. Em alguns casos, a formação desses profissionais pode levar muito menos. Erroneamente, o hábito corporativo de trocar o experiente pelo inexperiente, o certo pelo duvidoso pode levar empresas consolidadas à patamares bem inferiores. Grandes empresas de diversos ramos têm dado maior ênfase na contratação de pessoas qualificadas e com experiências, que possam transmitir conhecimentos e métodos, colaborando, em curto espaço de tempo, com a expansão das atividades. É difícil acreditar que empresas ainda estão abrindo mão de pessoas altamente qualificadas e conhecedoras de todo sistema produtivo em uma época onde apenas ter uma ou mais qualificação não resolve, é preciso dominar o campo de atuação.

As empresas que optam por substituir um profissional com domínio avançado das atribuições funcionais por outro sem nível equivalente para desenvolver a função após anos de investimentos e transferência de métodos de produção, estão cometendo o pior dos erros empresariais na gestão de pessoas. A transferência de pessoal qualificado representa um retrocesso nas políticas corporativas das empresas e contribui para que seu concorrente cresça indiretamente, através dessa "passagem" de métodos e pessoal qualificado.

As empresas que mais se consolidam em termos de gestão de pessoas são aquelas que investem na qualificação e favorecem o crescimento profissional de seus colaboradores com expectativas futuras. As que menos se consolidam e ainda contabilizam perdas, podem ser identificadas pela alta taxa de rotatividade de pessoal e pelo grau de rejeição de pessoas que não querem trabalhar nessas empresas. Grandes conglomerados industriais, por exemplo, facilitam a contratação de profissionais vindo de empresas concorrentes, que por falta de coerência nas suas políticas corporativas dispensam profissionais altamente qualificados e que podem colaborar na transferência de tecnologias e métodos de produção.

Em um ambiente profissional cada vez mais volátil, onde os profissionais buscam trabalhar em organizações que valorizam suas expectativas de crescimento futuro, é bom as empresas ficarem atentas a essa questão que em muitos casos passam desapercebidas e são responsáveis por grandes perdas de pessoal altamente qualificados. Um exemplo bem sucedido na gestão de pessoas vem de um dos maiores conglomerados industriais do Brasil do ramo de chapas de madeira: a Duratex mantém em seus quadros de colaboradores pessoas com carreiras consolidadas em seu rol funcional que são responsáveis por manterem as bases dos conhecimentos tecnológicos adquiridos ao longo de sua história.

O autor é especialista em sustentabilidade corporativa e colaborador do JC.

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