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Linhas de celular na região se estabilizam em 3 milhões

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Depois do “boom” experimentado ao longo da última década, o número de linhas ativas de celular na região de Bauru começa a dar sinais de estabilização. Em setembro deste ano, o volume de acessos na área de código 14 chegou a 3.093.311, apenas 1,7% mais do que o somado há dois anos, quando foram contabilizadas 3.041.240.

Se considerados os últimos cinco anos, no entanto, o crescimento havia sido de 60%, o que indica que, historicamente, a saturação do mercado é um fenômeno bastante recente. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e abrangem 100 municípios, incluindo as regiões de Avaré, Bauru, Botucatu, Jaú, Lins e Marília. A tendência se verifica, também, em âmbito estadual e nacional.

A acomodação do número de linhas, no entanto, parece não manter relação com a comercialização de aparelhos. Mesmo diante do atual desaquecimento econômico, a oferta de novos modelos com todas as possibilidades tecnológicas que ele contempla continua encontrando uma demanda segura de consumo, conforme apontam especialistas.

“Usuários jovens não ficam nem dois anos com o mesmo aparelho. Os lançamentos são frequentes e, até por uma questão de status, eles querem ter os mais recentes”, aponta Naasson Alcantara Jr., professor do departamento de engenharia elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, que já ministrou disciplina de sistema de comunicações.

Foi em 2010 que a zona de código 14 alcançou a marca de uma linha de celular por habitante. Desde 2012, o número de assinaturas de telefonia móvel se mantém estável na casa dos 3 milhões, para uma região com população estimada de aproximadamente 2,5 milhões de moradores.

Para o economista Fernando Pinho, esta realidade já era esperada. “No início, com a popularização dos celulares e as promoções ofertadas pelas companhias, houve uma euforia. Tinha gente com duas, três linhas diferentes. Isso já não é mais tão comum. As pessoas começaram a racionalizar e se adequar às suas reais necessidades”, pondera.

Leque infinito

Mas, por outro lado, o surgimento de novas tecnologias e aplicativos criados para atender as mais diversas finalidades continua estimulando o consumidor a trocar seu smartphone “antigo”, de um ou dois anos de uso, por novos modelos. Para alimentar este mercado ainda inesgotado, os celulares atuais nem de longe lembram os primeiros modelos fabricados no Brasil, na década de 1990.

Hoje, eles funcionam como verdadeiras estações de comunicação, trabalho e entretenimento portátil, com câmera fotográfica e de vídeo, mp3 player, localização via satélite, rádio, jogos e conexão à Internet. Com isso, o aparelho se consolidou como um dos mais cobiçados e revolucionários objetos contemporâneos de consumo, facilitando a comunicação entre as pessoas, criando novos códigos de comportamento, reduzindo os limites da privacidade dos indivíduos e modificando, de maneira inédita, a forma de o ser humano relacionar-se à distância com seus pares.

E pode ser até mesmo que este leque quase infinito de possibilidades tenha contribuído para que a demanda por mais de uma linha de telefone (ou chip) deixasse de existir. “Uma pessoa que usa pouco o telefone para falar não precisa ficar usando um monte de operadoras”, aponta o economista, lembrando que, hoje, boa parte dos aparelhos são smartphones que possuem conexão com internet.

“Eles facilitam e barateiam a comunicação por meio de redes sociais ou aplicativos (que permitem enviar mensagens de texto gratuitamente). É um recurso muito utilizado, principalmente entre os mais jovens”, completa.


Brasil e Estado

O Brasil fechou setembro de 2014 com 278,482 milhões de linhas ativas na telefonia móvel, acréscimo de 3,8% em relação às 268,266 milhões de assinaturas contabilizadas há dois anos. Nos últimos cinco anos, contudo, o crescimento foi de 67,6%.

Já no Estado de São Paulo, eram 67,577 milhões de linhas ativas em setembro de 2014, ante 63,583 milhões somados no mesmo mês de 2012, o equivalente a um salto de 6,3%. Desde 2009, a elevação acumulada é de 60%, mesmo índice alcançado pela área de código 14.


‘É uma boa hora para companhias se adequarem’, aponta especialista

O número de linhas de telefonia móvel cresceu exponencialmente na última década, sem que as operadoras adequassem, no mesmo ritmo, a infraestrutura de suas redes para atender a esta demanda. O resultado qualquer usuário de celular já experimentou: ligações telefônicas que não se completam, que são interrompidas ou são completadas com qualidade bastante questionável.

“Os sistemas são dimensionados para um determinado volume de serviço. Quando a demanda aumenta sem a melhoria da estrutura, a consequência é o aumento das falhas, transtornos e reclamações dos usuários”, comenta Naasson Alcantara Jr., professor do departamento de engenharia elétrica da Unesp.

Aprimoramento

Com a acomodação do número de linhas, ele afirma que as companhias deveriam ter como compromisso o aprimoramento de suas redes dentro de prazos pré-determinados. “Seria uma boa hora para estas empresas começarem a se adequar. Elas são obrigadas por lei a investir, mas não é possível dizer se conseguirão, no curto prazo, chegar a um nível considerado ideal. Até porque a qualidade atual ainda está muito ruim”, analisa.

Telefonia fixa

A queda vertiginosa no número de linhas fixas de telefone também tende a ser freada nos próximos anos, segundo avaliação do economista Fernando Pinho. Com o aumento da expectativa de vida e o consequente envelhecimento da população, ele acredita que a demanda por aparelhos de telefone instalados dentro das residências possa até mesmo crescer no longo prazo.

“Mais idosas, as pessoas tendem a não sair mais tanto de casa. E, como a telefonia celular continua mais cara que a fixa, ter o aparelho dentro de casa pode se tornar uma vantagem”, analisa.


Fala Povo: você conseguiria viver sem celular?

Teria dificuldade, mas acredito que dá para viver sem. Seria ótimo se o uso de celular fosse abolido. As pessoas ficaram escravizadas. - Juliana Passarelli,

30 anos,  auxiliar administrativa

Não conseguiria. Uso celular o tempo todo para o trabalho, para conversar com amigos, para acessar a Internet. Seria impossível ficar sem. - César Moscardi,

46 anos,  microempresário

Por mim, celular poderia não existir. Não gosto, uso o orelhão. Acho que as pessoas saíram do mundo real para viver uma vida virtual. - Thiago de Oliveira,

28 anos, chapeiro

Com certeza. Uso o celular só para falar, para saber onde estão os meus filhos. Nunca tive necessidade de ter Internet ou aplicativos. - Lúcia Neves de Aguiar, 52 anos,

microempresária

Não conseguiria. Uso o celular o dia todo para falar com colegas de trabalho, com clientes e amigos. Sou bem dependente. - Karla Rosendo, 22 anos, auxiliar administrativa

Eu nem tenho celular. Antigamente, todo mundo conseguia trabalhar e se comunicar normalmente sem ele. Não é essencial. - Sérgio Okubara, 39 anos, comerciante

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