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De geração em geração na boleia

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

O que mantém a família Sakai unida é a paixão pelos caminhões, que é passada de pai para filho. Pela primeira vez, três integrantes do grupo vão disputar um caminhão “novinho em folha” no valor de R$ 200 mil durante a fase final da 26ª Gincana do Caminhoneiro, uma competição amadora que desafia motoristas de todo o País (leia mais ao lado). Inclusive, Bauru também terá outro finalista, que não é Sakai, mas compartilha a mesma paixão da família.

 

Fernando Sakai, 54 anos, conduz caminhão desde que adquiriu a primeira habilitação, aos 18 anos. Hoje, ele transporta batata-doce da fazenda até uma fábrica de doces em Bauru e ao Ceasa, na Capital. “Eu vivo na estrada”, brinca o motorista. Há 20 anos, Fernando participa da Gincana do Caminhoneiro. Em 1994 ganhou um carro e, em 1999, um Volkswagen/16-200, que conserva até hoje.

 

Já Alberto Sakai, 56 anos, é irmão de Fernando. O JC tentou contato com ele na sexta-feira, mas o caminhoneiro estava em sua segunda casa, ou seja, na estrada. Porém, o filho dele, Alexandre Sakai, 34 anos, que vai disputar a final com o pai e o tio, contou parte da trajetória de Alberto. “Nós trabalhamos com transporte de batata-doce. O meu pai conduz uma carreta Mercedes 20-35 e eu, um Ford/Cargo 24-28”, conta.

 

O filho de Alberto foi incentivado a “cair na estrada” ainda muito jovem e, foi através do pai que descobriu a competição amadora. “Nunca ganhei nada, mas espero que essa situação mude dessa vez”, brinca Alexandre. Já o pai dele é bicampeão na disputa. Na década de 90, ganhou um Volkswagen/ 16-170 e, em 2003, um carro. “Espero que o prêmio desse ano venha para a família Sakai”, acrescenta Alexandre.

 

Outro bauruense

 

Os três membros da família Sakai não são os únicos bauruenses que foram classificados para a final da 26ª Gincana do Caminhoneiro. Julio Vieira da Silva, 43 anos, compartilha a mesma paixão do grupo. Caminhoneiro desde quando adquiriu a primeira habilitação, o homem participa da competição há muitos anos, mas nunca havia chegado até a etapa final. “É um sinal, acredito que vou ganhar o prêmio”, revela.

 

Julio sempre trabalhou com distribuição de frutas e verduras. Na década de 90, finalmente conseguiu realizar o “sonho do caminhão próprio”. Hoje ele conduz um Volkswagen/19-330, o mesmo fornecido pelos organizadores da disputa para os competidores. “O caminhão sustentou minha esposa e filhos por anos. Não tenho palavras para descrever a gratidão que tenho por ele. É quase um membro da família”, conclui o finalista.

 

Disputa

 

Movidos pela vontade de ganhar um caminhão novinho, cerca de 3 mil caminhoneiros de todo o País percorreram as estradas ao longo deste ano durante a 26ª Gincana do Caminhoneiro, promovida pela Revista Caminhoneiro. Um dos maiores desafios é a prova de slalom, que testa a habilidade dos motoristas de fazerem “ziguezague” entre cones no menor período de tempo.Os competidores são acompanhados por dois cronometristas, que registram os tempos e classificam os participantes. São seis etapas e uma final, que contará com a participação de 50 caminhoneiros classificados nas fases anteriores, sendo que quatro deles são bauruenses. Portanto, no próximo dia 30 de novembro, os “bons de braço” participarão das últimas provas na cidade de Campo Largo (PR). 

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