Tribuna do Leitor

Conversando com o diabo


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O tema não é apologia à sessão alguma de exorcismo satânico. É apenas o prólogo de um conto iniciado pela presidente Dilma, quando tentou explicar como o PT cuida do tema "eleições", pois que notoriamente repercutiu, em rede nacional, sua célebre frase "nas eleições a gente faz o diabo". Mas, entre o lícito e o ilícito, o certo e o errado, o justo e o injusto, onde se enquadra a ação diabólica?

O Brasil, ao menos o Brasil que se sente indignado pela corrupção que grassa impune em todos os setores do governo federal, está atônico com as revelações que não param de surgir no (novo) imbróglio que substituiu o mensalão, risivelmente classificado agora de petrolão. Os indiciados que têm colaborado com as investigações já deixaram claro que a propina, a bilionária propina que era arrecadada na ordem de 3% dos vultosos contratos da Petrobrás, alimentaram a campanha presidencial de 2010 e 2014. Seria esse o "fazer o diabo" que Dilma se referia?

Como no episódio de 2005, os caciques do petismo fogem dos fatos e cuidam de desqualificar os denunciantes, ainda que se trate de gente que entrou pela porta da frente, levada aos cargos de extrema confiança para gerenciar contratos bilionários, ligados umbilicalmente ao (de novo) tesoureiro do PT. Não era gente estranha. E nem inocente. A pornochanchada é velha e os crimes, ao que tudo indica, serviram para abastecer a campanha da presidente. O que o PT ainda não explicou ao país é o que é "fazer o diabo"!? No atual contexto, qualquer inteligência mediana é capaz de perceber que a campanha difamatória dos outros candidatos, a campanha perversa da mentira e o terrorismo causado ao exército de beneficiados pelo bolsa-família seriam apenas a ponta do iceberg de irregularidades, ilegalidades e imoralidades.

A seguir pela linha de investigações que se abre ao país, é evidente que o impeachment da presidente seria o único resultado de mais essa lambança da pornopolítica federal. Construíram sua campanha com dinheiro sujo desviado da Petrobras; o que mais precisa dizer? Mas, no Brasil do lulopetismo, infelizmente, para isso, até o diabo se faz de cego, surdo e mudo.

Ivan Garcia Goffi

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