Tribuna do Leitor

Hip Hop bauruense sem direito a moradia


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O Direito à moradia adequada se tornou um direito humano universal, aceito e aplicável em todas as partes do mundo como um dos direitos fundamentais para a vida das pessoas, no ano de 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Mas o que é uma moradia adequada?

Moradia adequada não é aquela que apenas oferece guarida contra as variações climáticas. Não é apenas um teto e quatro paredes. É muito mais, é aquela com condição de salubridade, de segurança e com um tamanho mínimo para que possa ser considerada habitável. Deve ser dotada das instalações sanitárias adequadas, atendida pelos serviços públicos essenciais, entre os quais água, esgoto, energia elétrica, iluminação pública, coleta de lixo, pavimentação e transporte coletivo.

E essa semana o Movimento Hip Hop bauruense perdeu sua casa, localizada na Cussy Junior, 13-55, Centro. Os bauruenses que passarem por ali não mais terão o colorido dos grafites o sorriso do saudoso Mussum, terão somente uma casa, como tantas outras que em breve será mais um ponto comercial. Mas esse está longe de ser o maior dos problemas. Nessa semana dezenas de artistas bauruenses perderam sua casa, são inúmeros artistas que se concentravam por lá para compor, produzir discos, eventos, trocar experiências e o mais importante, levar cultura, lazer e entretenimento para as periferias da cidade.

Barrada pela "burrocracia" do sistema, quem perde mais uma vez é a população. A solução por parte da Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Cultura, tardou a ponto de perder a Casa do Hip Hop e veio através de uma casa abandonada que não atende em nadas as necessidades básicas de uma moradia muito menos as do movimento Hip Hop de Bauru. Alguns membros do movimento brincaram com a musica de Vinicius de Moraes e Toquinho, dizendo ser uma casa muito engraçada, por não ter teto e não ter nada. Pois eu digo o contrário: tínhamos uma casa muito engraçada, não tinha teto para as ideias, não tinha nada e nem limites para o movimento. Sabe por quê? Ela era feita com muito esmero!

Yuri Rodrigues de Freitas

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